21 janeiro 2019

Globo x Bolsonaro: Muito além do laranjal


Se você acredita que a imprensa é "livre", "independente" e que denuncia corrupção e negociatas porque quer o bem do povo e da nação, sugiro que não vá em frente. Se entende, assim como eu, que a grande imprensa assim como qualquer outra empresa defende os seus interesses, de seus acionistas e grupo político, vamos lá.

O laranjal da família Bolsonaro, revelado pelo relatório do Coaf, trouxe a tona uma guerra quase declarada entre o presidente eleito e a vênus platinada. Eleito presidente, Bolsonaro tem demonstrado desprezo e feito críticas e até ameaças à poderosa emissora dos Marinho. Os Bolsonaro preferem se comunicar através das redes sociais e, quando necessário, usam prioritariamente a Record e SBT, emissoras concorrentes que se tornaram as assessorias de imprensa informais de Bolsonaro.

Acostumada a dar as cartas na política do país desde sempre, como um tipo de governo paralelo, a Globo não gostou e veio a retaliação.

A Globo já conhecia as maracutaias da família Bolsonaro, mas não iniciou o processo de desconstrução do "mito" antes, talvez por achar que seria mais fácil lidar com ele do que com Haddad ou Ciro Gomes. 

É óbvio que a Globo já teve acesso ao relatório completo do Coaf, mas está soltando as denúncias em doses homeopáticas, sempre aumentado o nível de gravidade das maracutaias da família. É nesse ponto que reside a grande questão.

Afinal, por que a Globo está liberando essas denúncias aos poucos? Sim, ela quer audiência, mas isso por si só não explica a estratégia. O que pretende com isso? Quer desgastar Jair Bolsonaro e provocar um processo de impeachment ou renúncia, entregando formalmente o poder aos militares? Ou pretende apenas chantagear o presidente eleito para recuperar o posto de governo paralelo e preservar o status de veículo de comunicação que abocanha a maior fatia da publicidade estatal?

A seguir, cenas dos próximos capítulos...

Mas não antes de descontrair...


12 janeiro 2019

Histórias que o nosso cinema (não) contava


O documentário "Histórias que o nosso cinema (não) contava" é uma produção extremamente interessante que entrou recentemente no catálogo da Netflix (janeiro de 2019). Dirigido por Fernanda Pessoa, traz uma coletânea de cenas de algumas produções de um gênero cinematográfico brasileiro que ficou conhecido como "pornochanchada". 

As "pornochanchadas" se caracterizavam pelo conteúdo sexual ousado e o humor, elas reinaram nas salas de cinema do país entre os anos 1970 e início dos anos 80, ou seja, no auge da ditadura civil militar brasileira.

De um modo geral as pornochanchadas são vistas até hoje como vulgares, de baixo nível e pornográficas, enfim, como cinema de segunda classe. É exatamente esse preconceito que o documentário de Fernanda Pessoa tenta desconstruir. Ao meu ver, com bastante eficiência.

Com cenas de filmes captadas de várias produções da época de ouro das pornochanchadas, a diretora constrói uma narrativa que revela um cinema crítico, subversivo ao regime militar, ousado e inteligente.

A narrativa dá a impressão de que vivemos em uma espécie de "remake" daquele período. A produção mostra que os debates e problemas da época são praticamente os mesmos de hoje: racismo, preconceito, corrupção, crise econômica, moralismo e hipocrisia, feminismo, autoritarismo, despolitização e , consequentemente, o nosso desprezo pela democracia.

As cenas de nudez e sexo erma usadas como estratégia para atenuar a crítica ácida ao regime militar. Os diretores e roteiristas satirizavam a paranoia do "comunismo" e a capacidade intelectual dos militares. "Cuidado com os livros que você lê meu filho, o ideal mesmo é não ler nenhum", aconselha um delegado depois de ser enganado por um rapaz levado até a delegacia por suspeita de ter em casa "conteúdo subversivo." 

Fatos históricos que marcaram a brutalidade do regime militar também são reencenados, sempre em tom crítico. No caso do assassinato do jornalista Vladimir Herzog, a cena do filme (que reproduz a cena dantesca de Herzog enforcado) coloca em dúvida a versão oficial do suicídio através de um diálogo entre quatro policiais que encontram o corpo. Somente se nos colocarmos no contexto histórico e político em que aquele filme foi gravado, teremos uma pequena noção da ousadia do diretor e do risco que ele correu ao retratar aquele fato daquela forma.  

"Histórias que o nosso cinema (não) contava" é uma grata surpresa, um documento rico em vários aspectos. É o testemunho de um período histórico difícil e que jamais deveria se repetir, ao mesmo tempo em que mostra como as artes e o cinema se opõem ao poder. 

Não por acaso o cinema crítico, as artes e a educação são os primeiros alvos de governos totalitários. Isso talvez ajude a explicar também a construção negativa da imagem das pornochanchadas e a negligência com que as películas do gênero foram tratadas, já que centenas delas foram danificadas por problemas de conservação ou simplesmente desapareceram.  

10 janeiro 2019

Gleisi Hoffmann é a regra, não a exceção


No Brasil da polarização política todos os dias há uma polêmica. A de hoje foi a presença da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, na posse de Nicolás Maduro, presidente reeleito da Venezuela. 

Tenho minhas críticas ao governo venezuelano, afinal, governos perfeitos só existem nas propagandas eleitorais, mas qualquer crítica que não leve em consideração a ofensiva imperialista ao país é demagogia pura.

Essa ofensiva derrubou, através de golpes, governos legítimos e populares como Maneul Zelaya em Honduras, Fernando Lugo no Paraguai e Dilma Rousseff no Brasil. Quando foi possível agir dentro da legalidade, essas forças desalojaram lideranças progressistas no voto, depois de campanhas massivas de ataques, como Cristina Kirchner na Argentina e Rafael Correa no Equador. Mas isso é assunto para outro artigo. Voltemos à Venezuela.

O que proponho é uma leitura sóbria de alguns dos principais argumentos utilizados para condenar a Venezuela. Todos pontuados abaixo:

A Venezuela é uma Ditadura e viola os direitos humanos   

 A Venezuela é a maior reserva de petróleo do mundo. A segunda maior reserva é a Arábia Saudita, uma ditadura brutal. Lá as mulheres supostamente adúlteras e as adolescentes que "envergonham a família" por qualquer suspeita de conduta sexual inapropriada, são afogadas nas piscinas de suas casas pelos próprios familiares. Se há uma nesga de "misericórdia", são confinadas pelo resto da vida em um quarto construído em alvenaria, sem portas ou janelas, somente com uma pequena passagem para o fornecimento de alimentos e produtos básicos. Se os dois países violam os direitos humanos, por que ninguém incomoda a Arábia Saudita? Seria porque a AS negocia o seu petróleo com os EUA e UE nas condições que eles impõem. Talvez o verdadeiro interesse não seja direitos humanos e sim o petróleo venezuelano. Não seria a primeira vez. Não vamos esquecer as "armas de destruição em massa" do Iraque.

Não reconhecer o resultado das eleições.

Não aceitar o resultado das eleições de opositores com o objetivo de tumultuar governos legítimos é uma das estratégias mais manjadas da direita. Foi assim quando Aécio Neves pediu "recontagem dos votos" quando perdeu para Dilma em 2014 e posteriormente ajudou a articular o golpe. Nas eleições de 2018 Bolsonaro também ensaiou por várias vezes não aceitar outro resultado que não a sua vitória. Colocou em dúvida por várias vezes a segurança das urnas eletrônicas e o processo eleitoral do país. Quando ganhou, não falou mais no assunto.

Eleição de Maduro foi fraude

Na Venezuela o eleitor passa por 8 etapas até confirmar o voto em definitivo. O processo combina métodos digitais e analógicos e é bem mais seguro do que o brasileiro. Não parece razoável fraudar 8 etapas de um processo. Some-se a essa dificuldade a presença de observadores internacionais e a fúria da direita venezuelana, atenta a qualquer deslize.

Muitas Abstenções invalidam a eleição

Um critério que só é usado para a Venezuela. Maduro foi eleito com mais de 62% dos votos válidos e é isso o que importa. Na Venezuela, a exemplo dos EUA, o voto não é obrigatório. Se o critério for reconhecer somente os eleitos que conseguiram maioria absoluta, é preciso não reconhecer também Trump como presidente dos EUA e Bolsonaro como presidente do Brasil. Ambos se elegeram, como Maduro, por maioria dos votos válidos.

A neutralidade é tradição da diplomacia Brasileira

É da tradição brasileira a neutralidade diplomática. O saudoso ex-chanceler Celso Amorim dialogava com Cuba, EUA, Palestina, Israel, Irã, Venezuela, etc. A exclusão das chamadas ditaduras, e os critérios para defini-las, é uma "inovação" do governo Bolsonaro que, ao mesmo tempo em que exclui de sua posse Cuba, Venezuela e Nicarágua, recebe países governados por ditaduras ou governos autoritários como Rodrigo Duterte, das Filipinas, Viktor Orban, da Hungria, Recep Tayyip Erdogan, da Turquia,  Arábia Saudita, Egito e outras nações acusadas de graves violações aos direitos humanos,  como Israel.  

Gleisi Hoffmann apenas honra a tradição democrática da diplomacia brasileira, ela é a regra, não a exceção.

Por fim...

É preciso enxergar além das aparências. O maniqueísmo sempre foi utilizado pelas grandes potências Ocidentais como arma para alcançar objetivos geopolíticos e econômicos. Não é diferente com a Venezuela. 

Se o nosso vizinho fosse o maior produtor de bananas do mundo, ao invés da maior reserva de petróleo do planeta, será que haveria preocupação com a crise humanitária que assola o povo venezuelano? 

Propor mais sanções econômicas à Venezuela, como querem EUA e UE, é uma forma de resolver a crise humanitária instalada no país ou é uma forma de agravá-la, com o objetivo de inflamar a população contra o governo e derrubá-lo? 

As críticas à Venezuela e a Gleisi Hoffmann devem vir acompanhadas de respostas a esses questionamentos, sob pena de cair na vala comum do discurso ideológico da direita.

Infelizmente, parte da esquerda já caiu nessa esparrela e faz novamente o jogo da direita, o mesmo que nos fez retroceder até esse governo. 

09 janeiro 2019

Flanelinha se apossa de via pública e impede que motoristas estacionem

Quem mora em Mossoró sabe o quanto é difícil estacionar no centro da cidade. Encontrar uma vaga entre 08h e 17h é tarefa árdua e estressante. Mas nada é tão ruim que não possa piorar.

Em uma das principais avenidas da cidade, a Alberto Maranhão, ao lado do Banco Itaú e a alguns metros da sede da prefeitura municipal, um flanelinha simplesmente tomou posse de parte da via pública. Mesmo sem qualquer placa indicando que o local é estacionamento exclusivo de motocicletas, o flanelinha tomou essa decisão a revelia do departamento municipal de trânsito.

Muito cedo ele já delimita o local com cones. Assim, onde antes se podia estacionar carros, transforma-se em um estacionamento exclusivo para motos.

Os tais "azuizinhos" - como são conhecidos os agentes municipais de trânsito de Mossoró - sempre tão ávidos em aplicar multas nos motoristas, fingem que está tudo normal e não incomodam o rapaz. Se apropriar da via pública e prejudicar os motoristas que trabalham no centro e precisam estacionar é problema menor, devem pensar.

E assim seguimos vivendo em uma terra onde todos fazem o que bem entendem.

06 dezembro 2018

Partage Shopping e a "multolândia" de Mossoró


O Partage Shopping de Mossoró anunciou recentemente um reajuste em suas tarifas de estacionamento. O valor para um período de 4 horas passou de 4,00 para 6,00. A única redução foi no tempo de tolerância que era de 15 e agora é de 10 minutos.

Os frequentadores do shopping demostraram indignação nas redes sociais.

É claro que ninguém gosta de "reajuste," mas convenhamos, o Partage é uma empresa privada, está inserida em uma lógica de livre mercado. Isso significa que tem autonomia para tomar decisões econômicas baseadas apenas na convicção da autorregulação do mercado.

Os consumidores que se sentirem explorados têm alternativas para reagir a isso: deixar de frequentar o shopping, usar outro meio de locomoção, frequentar estabelecimentos que não cobram por estacionamento, comprar em outros locais, etc.

O achaque privado, de onde se pode escapar, mobiliza mais indignação do que o achaque estatal, para o qual não há alternativa.

A gula fiscal da atual administração municipal de Mossoró é exemplo dessa indignação mau direcionada.

O aumento extorsivo do IPTU, exercício 2018 (alguns carnês com até 300% de reajuste), não mobilizou tantas vozes indignadas, muito menos as leis aprovadas posteriormente pela Câmara Municipal, que permitem inserir o nome do contribuinte inadimplente em serviços de proteção ao crédito. (Para saber mais leia Contribuinte em débito com a prefeitura poderá ser fichado no SPC/Serasa)  

Outra prática que parece ter se naturalizado em Mossoró é a tão manjada quanto lucrativa "Indústria da Multa", que por aqui tem a sua versão municipal.

Comparando o primeiro semestre de 2018 com o de 2017 as multas de trânsito cresceram 118%. Foram R$ 1.128.560,00 entre janeiro e junho do ano passado contra R$ 2.468.158,55 no mesmo período em 2018. São dados colhidos do Portal da Transparência.

Os agentes municipais de trânsito que deveriam zelar pela segurança, educar e orientar a população, se converteram em operários com metas a serem cumpridas. Uma "meta de multas", é o que garante uma fonte.

O modus operandi dos agentes é sugestivo. Nos horários de pico, lá estão os "azuzinhos" em algum ponto de grande fluxo, com seus blocos de multa nas mãos, atentos. Ao sinal de qualquer deslize, ou coisa que possa se enquadrar como tal, a canetinha nervosa é acionada. Não há uma ação educativa, elucidativa ou tentativa de diálogo com o condutor, o objetivo é unicamente a multa.
Acumulei 17 multas de 2015 a 2017, nenhuma foi entregue e ficou acumulada por falta de papel, era a alegação. Dentre elas infrações absurdas, que eu nem sabia que existiam. Detalhe, para recorrer eu que tenho que provar que estava certo, não quem me multou. O cara faz uma multa qualquer e eu que tenho que reunir provas para dizer que estava certo. Vai ficar pior (Depoimento de uma fonte ao Blog)
 Sim, vai ficar pior. O município equipou vários pontos da cidade com câmeras cuja finalidade é "monitorar o trânsito". Isso no dicionário da atual administração municipal significa multar.

Em todos os níveis, parece que a nossa percepção está a cada dia mais equivocada. Nos preocupamos com cortinas de fumaça enquanto os problemas reais persistem, sem serem incomodados. 

Sobre a gula fiscal da atual administração, leia também: Gula fiscal de Rosalba faz multas de trânsito aplicadas pela Prefeitura crescem 118% em 2018


29 agosto 2018

O câncer é a doença que mais mata crianças e adolescentes


De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer infantil hoje é a doença que mais causa morte em crianças e adolescentes de 1 a 19 anos, representando 8% do total de mortes nessa faixa etária. Ao contrário dos adultos, onde exposições a fatores de risco como tabagismo, álcool e obesidade podem influenciar no aparecimento de câncer, para as crianças ainda não existe um motivo claro que explique o desenvolvimento da doença. 

O diagnóstico do câncer em uma criança pode ser bastante complexo, pois alguns sinais podem ser confundidos com doenças comuns da infância. Nesse caso, o papel dos pais ou responsáveis é de extrema importância, além disso o pediatra, como primeiro médico que a família procura, tem de estar atento para que algum sintoma não passe despercebido.

A pediatra Dalvaci Petrucci, do Hapvida Saúde, faz um alerta, “Toda doença diagnosticada precocemente tem mais chances de cura e com o câncer infantil esse diagnóstico deve ser mais urgente ainda. É uma tarefa difícil, mas perda de peso exagerada, hematomas sem explicação, cansaço fácil, são apenas alguns dos sintomas que nos fazem ficar mais alerta de que algo está errado com a criança”.

Se for diagnosticado precocemente e tratado de forma adequada, o câncer tem mais de 70% de chance de cura.

24 agosto 2018

Incidente em Mossoró levou avião de Haddad a ficar 20 minutos sem poder pousar. Sabotagem?



Do meu apartamento é possível acompanhar o tráfego aéreo do Aeroporto Dix-Sept Rosado, em Mossoró. Sou entusiasta de aviação, então estou familiarizado com os procedimentos de pousos e decolagens de aeronaves. Fiquei de "sentinela" aguardando a chegada do avião que trazia Haddad e quando ele já estava sobrevoando Mossoró, percebi que havia algo errado. A aeronave dava voltas mas continuava na mesma altura. Imaginei que poderia ser algum corpo estranho na pista que pudesse comprometer a segurança da aeronave durante o pouso, e que o problema estava sendo resolvido. Quando o avião enfim pousou, por volta das 21h30 de quinta-feira (23), fiquei sabendo de todo o imbróglio através de colegas jornalistas. Como a imprensa Mossoroense praticamente ignorou o acontecimento, fui buscar mais detalhes nos blogs alternativos. Vejamos o que escreveu sobre o fato o Jornalista Renato Rovai:

Do blog do Rovai

O candidato a vice-presidente na chapa de Lula, o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, está cumprindo agenda no Nordeste nesta semana. Na noite de quinta-feira (23), ele foi para Mossoró, Rio Grande do Norte, onde pela primeira vez o PT tem uma candidata com chances reais de vencer as eleições, a senadora Fátima Bezerra.

Quando o avião com a comitiva petista se aproximou do aeroporto da cidade, para surpresa de todos, as luzes estavam apagadas e não havia como pousar.

Iniciou-se uma verdadeira guerra de informações e contrainformações acerca do que estava acontecendo e enquanto isso o avião com um provável candidato a presidente da República ficava dando voltas sobre a pista sem ter o que fazer.

Os responsáveis pelo aeroporto alegavam que a pista só funcionava até às 18h45. Os coordenadores da ida de Haddad a Mossoró garantem que tinham autorização para o pouso às 20h e que haviam comunicado que haveria um pequeno atraso neste horário.

O fato é que foram 20 minutos de tensão e que deixaram os petistas muito preocupados em relação à segurança de Haddad. O PT vai solicitar investigação em relação ao ocorrido e trabalha com a hipótese de ter havido uma sabotagem intencional num estado que é governado por oligarquias há muito tempo. (Renato Rovai)

Claro que é muito cedo para falar em "sabotagem," mas diante do ódio político e do fascismo que se instalaram no país, é uma hipótese que não pode ser descartada. Não vamos esquecer do áudio vazado da aeronave que levou Lula para Curitiba, onde ouvia-se claramente um controlador de voo incitando o assassinato do ex-presidente: "Leva e não traz nunca mais", e em outro momento, "Manda este lixo janela abaixo aí".  

Ouça o áudio



Cabe refletir também se essa situação seria a mesma caso, ao invés de Haddad, o político em campanha fosse Geraldo Alckmin (PSDB), Jair Bolsonaro (PSL) ou qualquer outro do campo da direita. Alguém consegue imaginar a muvuca que seria se uma comitiva de Geraldo Alckmin (PSDB) ficasse por 20 minutos sobrevoando o aeroporto de Mossoró, aguardando que as luzes de balizamento fossem ligadas, porque a pista só funciona até às 18h45?

Em 2016, durante a campanha para prefeito de Mossoró, o candidato Tião Couto, na época  filiado ao PSDB, recebeu a visita de Tasso Jereissati (PSDB), que veio em sua aeronave particular, um bimotor a jato de médio porte. A chegada do político, inicialmente programada para às 18h, aconteceu cerca de 1h30 depois, ou seja,  por volta das 19h30. 

Nessa época parece que o horário de funcionamento da pista não foi um problema e os responsáveis pelo aeroporto estavam lá para garantir a segurança do pouso.

A atitude criminosa do controlador de voo da aeronave que transportou Lula caiu no esquecimento, o mesmo deve acontecer com esse evento, no mínimo irresponsável, envolvendo mais um quadro do PT. Sintoma de um país que naturaliza ou relativiza o ódio contra um partido popular.

20 agosto 2018

Fernando Haddad estará em Mossoró na quinta (23) e sexta-feira (24)

O ex-prefeito de São Paulo e atual candidato a vice-presidente na chapa de Lula, Fernando Haddad (PT), visitará Mossoró esta semana nos dias 23 e 24, onde cumprirá agenda política. 

Segundo informações Haddad vai chegar em Mossoró na quinta-feira às 20h30, e terá como único compromisso um jantar com o PT local.

Na sexta-feira (24) está prevista uma entrevista coletiva que será concedida à imprensa Mossoroense a partir das 8h, em local ainda não definido. 

Ainda na sexta-feira o político participará da inauguração do comitê local do PT, de uma caminhada no centro da cidade e de uma visita a uma cooperativa de produtores de frutas tropicais.

Haddad vai participar também de uma sessão de fotos com os candidatos do PT e partidos aliados e depois segue para São Luís-MA. 

14 agosto 2018

Não vou mais perder tempo com Ciro Gomes


Não quero mais perder tempo com Ciro Gomes (PDT). Sua grande inteligência política rivaliza com o destempero verbal e faz dele um grande adversários de si mesmo. Isso basta.

Mas é preciso registrar algumas vaidades do pré-candidato à presidência, que ele insiste em pintar falsamente com as cores da democracia.

Ciro se diz favorável a uma "união das esquerdas" para derrotar o fascismo e neoliberalismo que se instalaram no Brasil. Mas a sua incontinência verbal o trai, bem como o que se poderia entender como "estratégia eleitoral" de sua pré-campanha.

Ciro concedeu entrevista à CartaCapital que vai ao ar nesta terça-feira às 20h nas redes sociais da revista. O veículo adiantou algumas declarações do presidenciável, dentre elas uma onde ele critica a estratégia do PT de levar a candidatura de Lula até as últimas consequências. Disse ele:
"Eu não participo de fraude. Isso que o PT armou é uma fraude. As pessoas têm direito de ser respeitadas" 
Não vou entrar no mérito do processo e condenação de Lula, já que é cada vez mais evidente a perseguição jurídica e midiática ao ex-presidente.

A candidatura de Lula não pode ser entendida a partir de uma análise linear (clique AQUI e leia), que eu acredito não ser o caso de Ciro, homem inteligente que é. O pedetista sabe muito bem o que está acontecendo no país e da conspiração montada com o objetivo de barrar Lula, isso por si só já mostra a necessidade de uma união das esquerdas, que Ciro diz ser favorável.

Em outro trecho da entrevista Ciro afirma que é um "insulto" ser convidado para ser vice da chapa do PT, após ter se lançado candidato à presidência.

Não seria um "insulto" para Ciro a desistência de Lula, que tem 40% da preferência do eleitorado, ou do candidato do PT, maior partido do parlamento e com capital eleitoral em torno de 20% da preferência, para apoiá-lo, um candidato que tem entre 4% e 5% em todas as sondagens.

Para Ciro, a "união das esquerdas" só serve se for em torno dele, mesmo sendo um nanico eleitoral.

Fica claro que não é Lula e o PT que colocam o Brasil para dançar na beira de um abismo.
 

10 agosto 2018

A consolidação da ditadura de toga e o futuro da democracia no Brasil



A esdrúxula AP 470, batizada pela grande imprensa de "mensalão," deveria ter colocado o PT em alerta. Foi a partir dela, ao meu ver, que o estado democrático de direito e a constituição começaram a ser vilipendiados. 

Tomar os malabarismos jurídicos de Joaquim Barbosa e sua trupe como uma "curva fora da reta" ainda era admissível na época.

Depois veio o califado de Curitiba com a Operação Lava-jato que, sob o pretexto de combater a corrupção, vislumbrava  objetivos bem claros: Criminalizar o PT e anular o maior líder político que o Brasil já teve.

A LJ deu munição ao impeachment tabajara, que depôs a presidenta Dilma sem que ela tivesse cometido qualquer crime. O "centrão," sob o comando do corrupto de carreira Eduardo Cunha, foi importante para a consolidação do golpe, mas o grande protagonista, por omissão ou conivência, foi o judiciário, ainda que atuando nas sombras.

Com maciço apoio da grande imprensa, o califado de Curitiba foi testando os limites do estado de exceção, cometendo abusos, arbitrariedades, ignorando direitos individuais e escrevendo uma espécie de "constituição paralela."

Conversei certa vez com um grande jurista que me assegurou, "A lava-jato não passa da segunda instância."

Ele estava errado. 

O padrão da justiça "lavajateira" não só contaminou a segunda instância como também todo o poder judiciário. Os raríssimos insurgentes são perseguidos e ridicularizados.

É bem evidente o padrão adotado pela ditadura togada: Um alvo é escolhido, a grande imprensa faz uma denúncia em uníssono, o ministério público denuncia, o juiz aceita e condena o réu. Aos olhos da maioria da audiência, imersa na narrativa fajuta do "combate à corrupção," tudo é feito dentro de uma aparente legalidade e respeito à constituição. Se há ou não provas contra o acusado, pouco importa, o que vale é abater o inimigo político.

Esse método cruel acabou por levar o ex-presidente Lula para a prisão, condenado em um processo tão farsesco que, não tenho dúvida, será por muito tempo objeto de estudo para elaboração de monografias, dissertações e teses, não como exemplo de bom direito e justiça.

A ditadura de toga, no início, se preocupava em disfarçar os seus reais propósitos, mas não mais. Agora tudo é muito claro e evidente. A defesa técnica de Lula equivale a tentar enxugar a superfície da Lagoa de Apanha Peixe com uma flanela. Lula pode ter os melhores advogados do mundo (e ele tem excelentes advogados) ou um cachorro. Sua defesa pode enviar para os tribunais uma petição bem fundamentada ou uma receita de bolo, qualquer pessoa, tendo ou não afinidade com o ex-presidente, sabe que o resultado será sempre contra ele.

Apesar da clareza com que esse cenário se apresenta a todos, o PT insiste na candidatura de Lula, mas ela não tem a menor chance se viabilizar, isso está claro. A impugnação do ex-presidente faz parte do roteiro previsível, escrito pelos que perderam 4 eleições e agora usam o judiciário como atalho para chegar ao poder.

Como estratégia política, levar a candidatura de Lula até as últimas consequências é acertada e fundamental para evidenciar esse judiciário apodrecido, parcial e elitista. Se pesa de fato alguma esperança de que Lula será candidato e eleito (já que se for para as urnas ganha com facilidade), é  urgente romper com esse cálculo ingênuo e mudar o foco da luta pela liberdade de Lula e a redemocratização do país.

O caminho institucional está fechado pela ditadura jurídico-midiática. Em um estado de exceção não existe constituição, estado democrático de direito ou qualquer outra conquista civilizatória moderna, então, é preciso enfrentá-lo com as mesmas armas que ele usa contra a democracia, do contrário, vamos continuar acumulando derrotas.