14 agosto 2018

Não vou mais perder tempo com Ciro Gomes


Não quero mais perder tempo com Ciro Gomes (PDT). Sua grande inteligência política rivaliza com o destempero verbal e faz dele um grande adversários de si mesmo. Isso basta.

Mas é preciso registrar algumas vaidades do pré-candidato à presidência, que ele insiste em pintar falsamente com as cores da democracia.

Ciro se diz favorável a uma "união das esquerdas" para derrotar o fascismo e neoliberalismo que se instalaram no Brasil. Mas a sua incontinência verbal o trai, bem como o que se poderia entender como "estratégia eleitoral" de sua pré-campanha.

Ciro concedeu entrevista à CartaCapital que vai ao ar nesta terça-feira às 20h nas redes sociais da revista. O veículo adiantou algumas declarações do presidenciável, dentre elas uma onde ele critica a estratégia do PT de levar a candidatura de Lula até as últimas consequências. Disse ele:
"Eu não participo de fraude. Isso que o PT armou é uma fraude. As pessoas têm direito de ser respeitadas" 
Não vou entrar no mérito do processo e condenação de Lula, já que é cada vez mais evidente a perseguição jurídica e midiática ao ex-presidente.

A candidatura de Lula não pode ser entendida a partir de uma análise linear (clique AQUI e leia), que eu acredito não ser o caso de Ciro, homem inteligente que é. O pedetista sabe muito bem o que está acontecendo no país e da conspiração montada com o objetivo de barrar Lula, isso por si só já mostra a necessidade de uma união das esquerdas, que Ciro diz ser favorável.

Em outro trecho da entrevista Ciro afirma que é um "insulto" ser convidado para ser vice da chapa do PT, após ter se lançado candidato à presidência.

Não seria um "insulto" para Ciro a desistência de Lula, que tem 40% da preferência do eleitorado, ou do candidato do PT, maior partido do parlamento e com capital eleitoral em torno de 20% da preferência, para apoiá-lo, um candidato que tem entre 4% e 5% em todas as sondagens.

Para Ciro, a "união das esquerdas" só serve se for em torno dele, mesmo sendo um nanico eleitoral.

Fica claro que não é Lula e o PT que colocam o Brasil para dançar na beira de um abismo.
 

10 agosto 2018

A consolidação da ditadura de toga e o futuro da democracia no Brasil



A esdrúxula AP 470, batizada pela grande imprensa de "mensalão," deveria ter colocado o PT em alerta. Foi a partir dela, ao meu ver, que o estado democrático de direito e a constituição começaram a ser vilipendiados. 

Tomar os malabarismos jurídicos de Joaquim Barbosa e sua trupe como uma "curva fora da reta" ainda era admissível na época.

Depois veio o califado de Curitiba com a Operação Lava-jato que, sob o pretexto de combater a corrupção, vislumbrava  objetivos bem claros: Criminalizar o PT e anular o maior líder político que o Brasil já teve.

A LJ deu munição ao impeachment tabajara, que depôs a presidenta Dilma sem que ela tivesse cometido qualquer crime. O "centrão," sob o comando do corrupto de carreira Eduardo Cunha, foi importante para a consolidação do golpe, mas o grande protagonista, por omissão ou conivência, foi o judiciário, ainda que atuando nas sombras.

Com maciço apoio da grande imprensa, o califado de Curitiba foi testando os limites do estado de exceção, cometendo abusos, arbitrariedades, ignorando direitos individuais e escrevendo uma espécie de "constituição paralela."

Conversei certa vez com um grande jurista que me assegurou, "A lava-jato não passa da segunda instância."

Ele estava errado. 

O padrão da justiça "lavajateira" não só contaminou a segunda instância como também todo o poder judiciário. Os raríssimos insurgentes são perseguidos e ridicularizados.

É bem evidente o padrão adotado pela ditadura togada: Um alvo é escolhido, a grande imprensa faz uma denúncia em uníssono, o ministério público denuncia, o juiz aceita e condena o réu. Aos olhos da maioria da audiência, imersa na narrativa fajuta do "combate à corrupção," tudo é feito dentro de uma aparente legalidade e respeito à constituição. Se há ou não provas contra o acusado, pouco importa, o que vale é abater o inimigo político.

Esse método cruel acabou por levar o ex-presidente Lula para a prisão, condenado em um processo tão farsesco que, não tenho dúvida, será por muito tempo objeto de estudo para elaboração de monografias, dissertações e teses, não como exemplo de bom direito e justiça.

A ditadura de toga, no início, se preocupava em disfarçar os seus reais propósitos, mas não mais. Agora tudo é muito claro e evidente. A defesa técnica de Lula equivale a tentar enxugar a superfície da Lagoa de Apanha Peixe com uma flanela. Lula pode ter os melhores advogados do mundo (e ele tem excelentes advogados) ou um cachorro. Sua defesa pode enviar para os tribunais uma petição bem fundamentada ou uma receita de bolo, qualquer pessoa, tendo ou não afinidade com o ex-presidente, sabe que o resultado será sempre contra ele.

Apesar da clareza com que esse cenário se apresenta a todos, o PT insiste na candidatura de Lula, mas ela não tem a menor chance se viabilizar, isso está claro. A impugnação do ex-presidente faz parte do roteiro previsível, escrito pelos que perderam 4 eleições e agora usam o judiciário como atalho para chegar ao poder.

Como estratégia política, levar a candidatura de Lula até as últimas consequências é acertada e fundamental para evidenciar esse judiciário apodrecido, parcial e elitista. Se pesa de fato alguma esperança de que Lula será candidato e eleito (já que se for para as urnas ganha com facilidade), é  urgente romper com esse cálculo ingênuo e mudar o foco da luta pela liberdade de Lula e a redemocratização do país.

O caminho institucional está fechado pela ditadura jurídico-midiática. Em um estado de exceção não existe constituição, estado democrático de direito ou qualquer outra conquista civilizatória moderna, então, é preciso enfrentá-lo com as mesmas armas que ele usa contra a democracia, do contrário, vamos continuar acumulando derrotas.

21 julho 2018

Ciro Gomes toma uma "melada" da direitona


No meu Nordeste a expressão "dar uma melada" significa dizer que alguém conseguiu enganar outra pessoa de forma desconcertante. É um drible, uma jogada ou qualquer ação que, de tão incisiva, deixe o outro atordoado.

Feito esse apontamento, vamos ao que interessa.

Ciro Gomes, gostem ou não dele, é uma das maiores inteligências políticas do Brasil. Político experiente, conhece cobras e lagartos da vida pública nacional, por tudo isso é de surpreender que tenha sido tão facilmente ludibriado pela direita. Talvez a sua vaidade e obsessão em se tornar presidente da república tenham levado o ex-ministro a esquecer, ou pior ainda, fingir esquecer, as práticas da direita.

Desde que lançou seu nome como pré-candidato pelo PDT e percebeu que o PT (maior partido do congresso nacional e com capital eleitoral que chega a 20%) jamais abriria mão de ter um candidato próprio, Ciro ajustou o seu discurso com o objetivo de conquistar o eleitorado de direita. Ele passou a cortejar o  PSDB, elogiar as arbitrariedades da justiça lavajateira, negou-se a apoiar Lula e chegou até a declarar que o ex-presidente não era um preso político. Por fim, Ciro foi cortejado e cortejou o tal "centrão" (PP, PR, PRB, DEM e SD) que na verdade é um "direitão") e vislumbrou uma aliança com esses partidos cujos líderes partidários têm uma ficha de pelo menos 13 inquéritos criminais por suposto envolvimento em corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra a administração pública.

Quando Ciro já se considerava o "rei da cocada preta", a realidade se mostrou. Tudo não passava de uma "melada" muito bem dada por Rodrigo Maia (DEM) com a finalidade de esvaziar a candidatura de Ciro Gomes. Enquanto o "Centrão" dava o beijo de Judas no pedetista, por trás negociava com Geraldo Alkmin (PSDB), o candidato do golpe, e acabou por anunciar o apoio ao tucano. Resultado, Ciro foi abandonado no meio do caminho, confuso e atordoado, olhando para os dois lados.

Percebendo a tolice que fez, novamente mudou o discurso. Em uma clara tentativa de se reaproximar do PT, declarou recentemente em uma entrevista que o Brasil não terá paz enquanto Lula estiver preso.

Talvez seja tarde demais, os petistas ficaram ressentidos e desconfiados, mas a política é imprevisível. Vamos aguardar os próximos capítulos.  

19 julho 2018

Alta procura faz preço das passagens aéreas entre Mossoró e Recife disparar


Celebrado por empresários de vários setores da economia e pelos mossoroenses de um modo geral, os voos da Azul Linhas Aéreas entre Mossoró e Recife tiveram aumento substancial no valor dos bilhetes. O motivo pode ser a alta procura pelo serviço.

Atualmente os voos que partem de Mossoró para a capital pernambucana acontecem quatro vezes por semana, nos domingos, segundas, quartas e sextas. A previsão é que em novembro de 2018 os voos passem a ser diários, mas devido a alta procura a Azul já estuda a possibilidade de antecipar as operações diárias para o mês de setembro.   

Veja o levantamento feito pelo Portal Acontece

A empresa Azul Linhas Aéreas, que desde o último dia 13 de junho opera no Aeroporto Dix-sept Rosado, em Mossoró-RN, quase quintuplicou o preço de suas passagens com destino a Recife-PE, segundo comparativo realizado pelo Portal Acontece nesta quinta-feira, 19. As passagens de ida e volta custavam em média de R$ 300,00 a R$ 340,00 durante o primeiro mês de atividade; nesta quinta-feira, às 13h, o valor cobrado era de R$ 1.652,94.


Nota do Blog: Avião é desenvolvimento e os voos da Azul são realmente uma conquista dos mossoroenses. A viagem de ônibus de Mossoró a Recife leva em média oito longas e enfadonhas horas, já a bordo do ATR 72/600 da Azul, o passageiro chega ao destino depois de uma hora e meia. Os voos conectam Mossoró às principais cidades do Brasil e do mundo, fomentam o turismo de lazer e negócios. Não há dúvidas quanto a importância das operações da companhia no Aeroporto Dix-Sept Rosado, mas se o mercado não se autorregular e esses valores persistirem, é provável que o mossoroense prefira decolar (como antes) do Aeroporto Pinto Martins (Fortaleza), São Gonçalo do Amarante (Natal) ou mesmo Aracati (CE), que muito em breve estará homologado para operar voos comerciais regulares.  

17 julho 2018

Dica de leitura : Filha, Mãe, Avó e Puta

O livro  "Filha, Mãe, Avó e Puta" é a autobiografia de Gabriela Leite, moça nascida no seio de uma família de aristocratas paulistanos decadentes, graduada em filosofia pela USP, prostituta por opção e empreendedora.

Gabriela entrou na prostituição na década de 70 e trabalhou em zonas do chamado "baixo meretrício" em São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.

A obra mostra um lado da prostituição que a maioria não conhece, e por isso mesmo obriga o leitor a enfrentar alguns preconceitos sobre a profissão mais antiga do mundo.

É um livro que expõe o quanto é equivocado o termo "mulher de vida fácil" (usado como uma espécie de eufemismo para prostituta) e coloca em xeque outras noções que cercam a cultura da prostituição. 

 Leitura muito boa.

12 julho 2018

Gula fiscal de Rosalba faz multas de trânsito aplicadas pela Prefeitura crescem 118% em 2018


Um acompanhamento feito pelo Jornalista Bruno Barreto, através do Portal da Transparência,  sugere que a Prefeitura Municipal de Mossoró está usando as multas aplicadas pelo município para aumentar a arrecadação. A disposição de incrementar a chamada "indústria da multa" já havia sido denunciada pelo jornalista em abril de 2017. Segundo Bruno, os agentes de trânsito de Mossoró estavam sendo pressionados pela prefeitura a cumprirem "metas" na aplicação de multas com o objetivo de arrecadar.

Apesar de negar a prática, as ações da prefeitura e principalmente os números, não deixam dúvidas. O levantamento revelou que:  

Comparando o primeiro semestre de 2018 com o de 2017 as multas de trânsito cresceram 118%. Foram R$ 1.128.560,00 entre janeiro e junho do ano passado contra R$ 2.468.158,55 no mesmo período em 2018. Os dados são do Portal da Transparência. (Bruno Barreto)

A gestão da prefeita Rosalba Ciarlini quer mais. O aumento da receita gerado pela aplicação das multas ainda não foi suficiente para saciar a gula fiscal da municipalidade. A prefeita investiu em tecnologia de monitoramento para aumentar ainda mais a arrecadação com as multas, exemplo disso é a instalação de câmeras nas principais vias da cidade para multar os motoristas que cometerem qualquer deslize. 

Gula Fiscal 


A Gula Fiscal é uma das marcas da gestão Rosalba Ciarlini. Desde que assumiu a prefeitura, a chefe do executivo municipal aumentou de forma exorbitante o IPTU e criou mecanismos legais para estrangular o contribuinte. 

O município conseguiu aprovar em dezembro de 2017, com o apoio da bancada governista na câmara, um projeto de Lei que autoriza a Secretaria Municipal de Fazenda e a Procuradoria Geral do Município a incluírem devedores de IPTU, multas de trânsito, ISS e quaisquer outras taxas municipais no SPC ou Serasa, caso o pagamento não seja feito em cartório.

Antes, a Prefeitura de Mossoró não conseguia, por via judicial, negativar os nomes de quem tivesse dívidas abaixo de R$ 2 mil. Após a sanção da lei, qualquer pessoa que estiver em dívida com a Prefeitura de Mossoró, a partir de R$ 500, pode ter o nome negativado. Clique AQUI e saiba mais.

08 julho 2018

A inteligência de Jair Bolsonaro



Nas redes sociais o coro dos opositores do pré-candidato Jair Bolsonaro é que o presidenciável é burro, desprovido de qualquer recurso intelectual mais sofisticado. É uma avaliação perigosa, pois ela é falsa e tende a subestimá-lo.

Dentro de determinados critérios, Bolsonaro é bem inteligente. Tem consciência de que fala para idiotas, para a escória do ultraconservadorismo, adapta o discurso ao público sabendo que com uma generosa dose de ódio colhe os frutos podres do eleitorado. É fácil perceber que as asneiras dos seus discursos são deliberadas e têm alvo certo. Tudo é calculado.

Bolsonaro está há quase 30 anos no congresso nacional, tem uma produção parlamentar pífia, aumentou expressivamente o seu patrimônio pessoal e estendeu as benesses da política aos três filhos, Flávio Bolsonaro, Carlos Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro que são parlamentares (leia AQUI), uma contradição com o neoliberalismo econômico que defende e tem como pilares mais sólidos o "estado mínimo" e a "meritocracia." 

No congresso e em suas entrevistas tresloucadas, Bolsonaro também prega o nacionalismo e condena a corrupção, mas isso nunca o impediu de votar contra as denúncias a Michel Temer, de bater continência para a bandeira americana e nem de votar a favor de projetos contra os interesses nacionais, como a venda do pré-sal.

Apesar da produção política medíocre e de pregar o que não pratica na vida pública, Jair Bolsonaro continua com 17% a 19% de intenção de votos para presidente. Não é pouca coisa.

A estratégia de subestimar Bolsonaro não é inteligente, é apenas mais uma ingenuidade das forças progressistas.

06 junho 2018

Os perigos do glaucoma



O processo de decodificação das informações que chegam ao cérebro é extenso. Essa transmissão de mensagens que se inicia na córnea e depois atravessa o globo ocular até chegar ao nervo óptico, pode sofrer danos.

Por conta dessa lesão que pode evoluir devagar, denominada de glaucoma ou neuropatia óptica – patologia do nervo óptico associado à perda da função visual –  tem grande probabilidade de causar cegueira. “O glaucoma é silencioso na grande maioria dos seus tipos, e o diagnóstico nas fases iniciais é essencial para um tratamento adequado’’ explica Márcio Florêncio, oftalmologista do Hapvida Saúde.

Dor ocular intensa, baixa visão, vermelhidão ocular, náuseas e enxaqueca são alguns dos sintomas que requerem atenção. “O histórico familiar também influencia na causa do glaucoma e, se o diagnóstico desses sintomas for tardio, pode consistir em perda de campo de visão e turvação visual’’, alerta o médico.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) revela que, em 2020, 80 milhões de pessoas terão glaucoma no mundo. No Brasil já existem mais de 1,2 milhões de pessoas cegas, sendo até 80% dos casos de cegueira evitados ou tratados. Essa estimativa foi divulgada em 2017 e envolve também centros de pesquisa internacionais.

“O portador da doença pode ter uma acuidade visual normal por toda vida se realizar o tratamento e acompanhamento médico adequado. Essa é uma doença que na grande maioria dos casos não tem cura, mas é possível ter controle e estabilidade’’, revela o especialista Márcio Florêncio.

14 maio 2018

Nova pesquisa CNT/MDA mostra Lula imbatível e judiciário sem credibilidade


Do Brasil 247

Pesquisa realizada pelo instituto MDA para a Confederação Nacional dos Transportes (CNT), e divulgada na manhã desta segunda-feira (14) mostra que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que é mantido como preso político desde o dia 7 de abril em Curitiba, segue liderando a preferência da maioria dos eleitores brasileiros.

Na modalidade estimulada, Lula tem 32,4% dos votos válidos, Jair Bolsonaro 16,7%, Marina Silva 7,6%, Ciro Gomes 5,4%, Geraldo Alckmin 4,0%, Álvaro Dias 2,5%, Fernando Collor 0,9%, Michel Temer 0,9%, Guilherme Boulos 0,5%, Manuela D´Ávila 0,5%, João Amoêdo 0,4%, Flávio Rocha 0,4%, Henrique Meirelles 0,3%, Rodrigo Maia 0,2%, Paulo Rabello de Castro 0,1%, Branco/Nulo 18,0%, Indecisos 8,7%.

Nas simulações para o segundo turno, Lula também vence em todos os cenários e bate qualquer oponente.

A pesquisa também trouxe um dado importante, incomum em uma pesquisa eleitoral que tem como objetivo revelar um cenário eleitoral e um momento político. Trata-se da percepção que os brasileiros têm em relação ao poder judiciário.

Segundo a pesquisa, para 90,3% a Justiça brasileira não age de forma igual para todos. Apenas 6,1% consideram que age de forma igual. A avaliação sobre a atuação da Justiça no Brasil é negativa para 55,7% (ruim ou péssima) dos entrevistados. 33,6% avaliam a Justiça como sendo regular e 8,8% dos entrevistados avaliam que a atuação da Justiça no Brasil é positiva (ótima ou boa).

52,8,% consideram o Poder Judiciário pouco confiável; 36,5% nada confiável; e 6,4% muito confiável.  Dos entrevistados, 44,3% acreditam que, mesmo após as recentes ações da Justiça na Operação Lava Jato, a corrupção irá continuar na mesma proporção no Brasil. Enquanto isso, 30,7% avaliam que a corrupção irá diminuir e 17,3% acreditam que vai aumentar.

A Pesquisa CNT/MDA ouviu 2.002 pessoas, em 137 municípios de 25 Unidades Federativas das cinco regiões do país.

Para o download da pesquisa na íntegra clique AQUI

Nota do Blog: A pesquisa como um todo revela em números o fracasso da estratégia golpista. Apesar do massacre diuturno da mídia comercial, Lula continua imbatível, enquanto seus candidatos preferidos e fabricados (pela imprensa e pelo mercado), amargam resultados pífios ou desistem da disputa (caso de Luciano Huck e Joaquim Barbosa). O Judiciário, que ocupou a política e se empenha em destruir Lula, o PT e toda esquerda, é visto como parcial pela maioria da população, até mesmo pelos que apoiam esses métodos. É provável que diante desse cenário o PT leve a candidatura de Lula às últimas consequências. Não que haja alguma esperança em uma solução pela via judicial, pois é bem provável que Lula seja impedido de disputar as eleições, mas sua candidatura, mais do que nunca é um instrumento para revelar o estado de exceção em que o país está mergulhado, uma ditadura sem votos, do oligopólio midiático, dos juízes e do "Deus mercado."

11 maio 2018

Lula e o truque do diabo


O blog reproduz artigo primoroso de Marcio Sotelo Felippe. O texto explica o atual momento político do país, que vive uma ditadura furtiva e avalia que Lula errou ao se entregar aos seus algozes. Vale a pena ler. 

Por Marcio Sotelo Felippe*

Lula tinha três opções quando sua prisão foi decretada. Entregar-se, resistir, exilar-se. Sabe-se que seu entorno se dividiu entre elas. O núcleo jurídico defendia a primeira. O núcleo político uma das outras duas. A primeira, ao fim e ao cabo, era a opção pela institucionalidade, pela defesa meramente judicial.

As duas últimas escolhas significariam atos políticos de enfrentamento do golpe. Eram as corretas. Mais do que dizer golpe, era necessário agir como se age diante de um golpe, o que significa, antes de mais nada, não entregar seu corpo aos golpistas.  Lula é mantido isolado e não pode haver dúvida razoável neste momento de que seus carcereiros estão empenhados em sua destruição psíquica e em mantê-lo preso pelo resto de seus dias.

A escolha, assim, foi jurídica. Havia a expectativa de julgamento, na semana seguinte, da Ação Direta de Constitucionalidade que poderia declarar que a prisão sem trânsito em julgado violava a presunção de inocência estabelecida pela Constituição. Isto teve forte peso na decisão de Lula de submeter-se passivamente ao decreto de prisão de Moro.

Apostar temerariamente no voto da melíflua, sibilina e sinuosa Rosa Weber era um erro. Imaginar que a presidenta do STF, comprometida com o golpe até o pescoço, permitisse que fosse deliberada a ADC, outro erro. Ambos consequência da mãe de todos os erros: supor que um golpe se derrota com um recurso ao Judiciário.

Na lógica inexorável do golpe jamais aquele julgamento aconteceria naquele momento. O golpe havia, afinal, chegado à sua consumação triunfante: depois de derrubar a presidenta constitucional, encarcerar aquele que seria, segundo todos os prognósticos razoáveis, o próximo presidente da República.

Um golpe e um regime  de novo tipo. Desde, digamos, Napoleão III até as ditaduras militares da América Latina entendemos golpe como uma ruptura rápida que elimina do cenário político os adversários e rompe com a estrutura jurídica e política anterior.

Os golpes de novo tipo fazem tudo diferente. São difusos. Não há um agente facilmente identificável que deflagra o processo. O Judiciário pode protagonizar o golpe, como em Honduras e no Brasil. São preservadas as instituições políticas e jurídicas típicas do Estado de Direito. Age-se no seio delas aparentando, insidiosamente, respeitar a legalidade que estão violando. A vigência e o texto da Constituição não se alteram, mas sua matéria é esvaziada por meio de interpretações anômalas, bizarras, e assim instaura-se um estado de anomia constitucional em que tudo é permitido porque desconsidera-se até mesmo o quadro lógico mínimo estabelecido pela linguagem normativa.

O objetivo do golpe, derrubar a presidenta, aniquilar um partido político e sua maior liderança política para que não voltasse ao poder, foi avançando passo a passo nessa anomia constitucional. Moro violou a proteção constitucional do sigilo das comunicações entregando a uma rede de televisão a conversa de dois presidentes da República, sob o olhar complacente e omisso do STF.

O impeachment, que em toda nossa tradição jurídica e constitucional exigia um crime de responsabilidade, foi transformado em uma espécie de voto de desconfiança que só existe no parlamentarismo, igualmente sob o olhar complacente e omisso do STF.  A própria Corte, por fim, autorizou a prisão de Lula negando-lhe o habeas corpus mediante uma interpretação esdrúxula da presunção de inocência, mas de acordo com o “princípio da colegialidade” que, claro, como todo o mundo civilizado sabe, se sobrepõe ao princípio da liberdade.

Esse quadro mostra simplesmente a categoria ditadura, embora sob nova forma. Concentração do poder e ausência de limites constitucionais.

Contribuições teóricas recentes e oportunas, ainda que sob nomenclaturas diferentes ou com nuances de abordagem, identificam esse fenômeno em que a aparência de Estado de Direito é preservada para encobrir e legitimar a concentração de poder e a ineficácia de regras constitucionais que o limitem. Rubens Casara, em seu Estado pós-democrático (2017), observa que “a figura do Estado democrático de Direito, que se caracterizava pela existência de limites rígidos ao exercício do poder (e o principal desse poder era constituído pelos direitos e garantias fundamentais), não dá mais conta de explicar e nomear o Estado que se apresenta”.

A perspectiva de Pedro Estevam Serrano também vê o estado de exceção, embora não o identifique como permanente. Mas acrescenta um ingrediente largamente utilizado no atual processo político e social brasileiro e, a rigor, clássico do fascismo: a construção do inimigo interno. De fato, o reacionarismo, ou por vezes o filofascismo da classe média acolheu amplamente em seu imaginário a criminalização e a desumanização da esquerda.

Essa ditadura de novo tipo é a forma política do neoliberalismo. A captura integral do Estado pelo mercado. A categoria do político tem que ser diluída para ampliar e acelerar a acumulação. Nesse contexto, diluir o político significa expulsar do cenário político e social os que defendem direitos e as políticas de bem-estar social que podem retirar da miséria milhões de brasileiros.

Lula decidiu se entregar e ao fazê-lo agiu como se tudo não passasse de uma contingência a ser resolvida juridicamente pelos bons juízes que ainda há em Berlim. Escreveu uma carta no 1º. de maio afirmando que vivemos em uma democracia incompleta. O que estamos vivendo desde 2016 não é uma democracia incompleta. É uma ditadura completa. Como disse Baudelaire, o truque mais esperto do diabo é convencer-nos de que ele não existe.

O que vai tirar Lula da cadeia é a luta de classes, a verdade e a razão que só estão nela e em lugar nenhum mais. E a arena da luta de classes não é o parlamento, a sala do pleno do STF ou o gabinete do Moro. É a rua.

*MARCIO SOTELO FELIPPE é advogado, ex-procurador-geral do Estado de São Paulo e mestre em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela USP.