04 novembro 2010

Fotos do Império Russo,em cores e em alta definição... feitas há 100 anos.

Entre 1909 e 1912 o fotógrafo Russo Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii (1863-1944) tirou uma série de fotos coloridas e em alta definição. O trabalho era parte de um levantamento fotográfico do Império Russo, contratado pelo Czar Nicolau II. Pode soar estranho falar de fotos coloridas e em alta definição no início do século IXX, mas elas eram perfeitamente viáveis já naquela época.

Para conseguir tamanha fidelidade Sergei Mikhailovich usou uma câmera especial para capturar três imagens em preto e branco em sucessões muito rápidas, além disso o fotógrafo utilizou filtros vermelhos, verdes e azuis, em seguida projetou as fotos a partir de lanternas que filtravam as cores e mostravam as fotos com cores bem próximas do real.

É difícil acreditar que, dada a alta qualidade das fotos, elas foram tiradas há 100. Para se ter uma ideia as imagens foram captadas antes da Revolução Russa e I Guerra Mundial.

Vou postar algumas e em seguida direcionarei o leitor para o blog onde elas foram originalmente publicadas. As fotos são extraordinárias, é como entrar em uma máquina do tempo e retroceder 100 anos.

Foto 1: Uma mulher armênia em trajes típicos posa para o fotógrafo Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii em uma colina perto de Artvin (na atual Turquia), por volta de 1910.



Foto 2: Auto-retrato do fotógrafo Prokudin-Gorskii, de terno e chapéu, sentado na pedra ao lado do Rio Karolitskhali, nas montanhas do Cáucaso, perto do porto de Batumi, na costa oriental do Mar Negro no ano de 1910.



Foto 3: Vista de Tbilisi, Georgia em 1910.

Foto 4: Vista geral de Artvin (atual Turquia), a partir da pequena cidade de Svet 1910.


Foto 5: Um grupo de crianças judias com um professor em Samarkand (atual Uzbequistão moderno) em 1910.


Foto 6: Funcionário da ferrovia trans-siberiana em 1910


Foto 7: Emir Seyyid Mir Mohammed Alim Khan, o Emir de Bukhara, sentado segurando sua espada em Bukhara (Atual Uzbequistão) em 1910.



Foto 8: Um home e uma mulher posam para Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii no Daguestão, 1910.

Para ver mais fotos extraordinárias como estas, visite o The Big Picture, news stories of protographs

06 janeiro 2010

Na trilha de Jesuíno Brilhante, o cangaceiro romântico

Durante a produção do documentário Jesuíno Brilhante, o Herói Bandido, nossa equipe viajou para a Cidade de Patu, interior do RN, local onde viveu o cangaceiro. Vamos fazer juntos, através das fotografias que tirei durante a captação das imagens para o documentário, a trilha de Brilhante. É uma viagem bela e exaustiva. Aproveite a beleza do sertão do alto Oeste potiguar.


Essa é a serra que circunda a cidadezinha de Patú, terra de Jesuíno Brilhante. (Foto: Allan Erick)

A serra vista de outra parte da cidade


Já na zona rural começamos a nossa jornada até a "casa de pedra", casamata natural e esconderijo de Jesuíno Brilhante. O forte de brilhante fica lá no alto da serra, impossível apontar com precisão o local exato desse ponto em que estávamos. Para que pudéssemos chegar até lá, precisamos da ajuda de um guia.

A trilha até a casa de pedra é cansativa, vai ficando mais íngreme a cada passo...


...Sem contar que é repleta de obstáculos naturais, como por exemplo a caatinga, vegetação típica do sertão nordestino.


40 minutos depois a nossa equipe chega na "casa de pedra", esconderijo de Jesuíno Brilhante. No interior da caverna podemos encontrar algumas divisões que serviaram como "quartos" para acomodar Brilhante e o seu bando.

Ao lado da "Casa de Pedra" fica um mirante...


...de onde Jesuíno tinha uma visão privilegiada da região e total controle sobre quem estava a caminho da casa, se era amigo ou inimigo.


Outro ângulo de visão do alto do mirante.

O nosso documentário está em fase de edição e montagem. A previsão é que sua duração fique em torno de 10 a 15 minutos, quando estiver concluído eu terei o maior prazer em posta-lo neste espaço para que os visitantes do blog conheçam mais um pouco da história de Jesuíno Brilhante, "o cangaceiro romântico".

05 janeiro 2010

Jesuíno Brilhante, o Cangaceiro Romântico.


Quando se fala em “cangaço” ou “cangaceiro” a maior referência é Virgulino Ferreira, o “Lampião,” mas o cangaço não se restringe a Virgulino, foi um movimento. Nos sertões do Nordeste vários bandos de cangaceiros percorriam as caatingas fugindo das forças oficiais, cometendo crimes e fazendo justiça com as próprias mãos.


Pouca gente sabe que um dos primeiros cangaceiros que se tem notícia foi potiguar, nascido na zona rural do município de Patu-RN,  em um pequeno sítio chamado “Tuiuiú,” seu nome era Jesuíno Brilhante. O potiguar nasceu em 1844 (muito antes de lampião), seus pais eram pequenos agricultores e viviam bem se considerarmos os padrões daquela época. Jesuíno tinha fama de caridoso, correto, trabalhador e justo, porém uma desavença com outra família, os “Limões”, acabou com a sua paz e de sua família.

A família Limão, de acordo com as pesquisas históricas, era protegida por políticos, gozava de prestígio e os sete irmãos Limões eram tidos como valentões. Em uma certa ocasião espancaram violentamente Lucas Alves, irmão caçula de Jesuíno. Em outra atitude que se tornou o estopim da desavença, roubaram e mataram uma cabra de estimação do alpendre da casa da família. Jesuíno encontrou o animal morto na fazenda “Camucá”, de propriedade dos Limões.

A revolta

A tensão com a família “Limão” aumentava, o pai de Jesuíno, João Alves Melo Calado, achou por bem abandonar o Tuiuiú, antes porém precisava se despedir dos outros familiares. Com esse objetivo conduziu a sua família até a casa de José Calado, primo de Jesuíno, e lá foram atacados pelos Limões que mataram o parente próximo. Era 24 de dezembro de 1871, véspera de Natal.

Revoltado, Jesuíno Brilhante no dia seguinte mata à punhaladas Honorato Limão e torna-se procurado por assassinato. Perseguido pelos Limões, que eram delegados em Patu e nas cidades vizinhas de Brejo do Cruz-PB e Catolé-PB, Brilhante entra de vez no cangaço. Além dele o seu bando era formado por Pirí, Pajeú, Duó, José, Benício, Delgado, Padre e Manuel De Ló.

Jesuíno o mito

As pesquisas sugerem que o cangaço de Brilhante era diferenciado, influenciado por seu caráter caridoso e suas convicções religiosas. Era proibido aos homens de Jesuíno roubar dos sertanejos e jamais deveriam tocar nas moças de família. Foi pelo respeito ao sexo feminino que Jesuíno ganhou o apelido de “Cangaceiro Romântico.” Suas intervenções em favor das mulheres que sofriam violência sexual são as únicas na história do cangaço. Ao saber que uma moça fora violentada ou “bolida”, Brilhante reunia um padre, a vítima e o agressor e fazia o casamento, tendo sempre o malfeitor sob a mira do bacamarte.

Perseguido e vivendo sob constante ameaça, Brilhante mudou-se para um front natural que ficava dentro de sua propriedade, o local no alto de uma serra é conhecido como “casa de pedra”, além da proteção natural Jesuíno tinha uma visão panorâmica da região, o que lhe permitia se antecipar aos ataques inimigos. O terreno da “casa de pedra” era de difícil acesso e tinha várias saídas de fuga.

Jesuíno saqueava comboios de suprimentos do governo e distribuía os alimentos com os pobres, o que resultava em uma legião de famintos acompanhando o bando para onde quer que ele fosse. Esses comboios saqueados eram mesmo destinados aos pobres, mas eram desviados pela corrupção (Já naquela época). Jesuíno, a seu modo, combateu injustiças e ajudou os menos favorecidos.

Outro fato que merece destaque na história do cangaceiro romântico é a forma como agia. Todos os ataques do bando de Jesuíno eram precedidos por uma cantoria entoada pelos cangaceiros chamada “Corujinha”.

A morte de Jesuíno Brilhante

O “cangaceiro romântico” foi morto no município de São José Do Brejo Do Cruz, no ano de 1879, em um local chamado Sítio Santo Antônio, sertão da Paraíba. Brilhante foi vítima de uma tocaia armada pela tropa do Cabo Preto Limão, depois de oito anos reinando absoluto pelos sertões do RN e Paraíba. A morte de Jesuíno é cercada de mitos, do planejamento ao momento em que ele foi alvejado.

Os inimigos do Cangaceiro acreditavam que ele tinha o “corpo fechado” e por isso Brilhante não poderia ser morto por munição normal. Os rivais se utilizaram então de “mandingas”. As balas convencionais foram substituídas por pedaços de chifre de um “novilho virgem” com o objetivo de quebrar o encanto. A eficácia dos projéteis foi testada antes em um animal coberto com um casaco de Jesuíno. Diz a lenda que o primeiro tiro com munição convencional dado no carneiro falhou, e que ele só foi abatido quando a munição foi substituída pelos “projéteis especiais”.

No dia de sua morte Jesuíno percorria o sertão em seu fiel cavalo “Exalação”, perto do ponto onde estava armada a emboscada, diz a história, o animal percebeu o perigo e se recusou a seguir em frente, mas acabou sendo obrigado por Jesuíno a prosseguir pelos crivos das esporas. Ao ser alvejado pelo projétil especial, antes de tombar sem vida, Brilhante ainda achou forças para humilhar Preto Limão, seu algoz, “Morro com muito respeito pois nunca matei ninguém de tocaia, nunca fui um covarde como esse Limão.”

Fontes:

NONATO, Raimundo, Jesuíno Brilhante, o cangaceiro romântico, Fund. Vingt-un Rosado, Mossoró, 2000.

Cordel “O Cangaceiro Romântico”. Autor: José Josino de Oliveira Filho(Zé Oliveira)
Cordel “Jesuíno, o cangaceiro brilhante”. Autor: Gil Hollanda.