17 novembro 2014

Bicicletada: Mossoró-RN / Juazeiro do Norte-CE, 420 km de pedal.


Depois de meses de planejamento e treinos, finalmente fizemos - eu e mais 13 trilheiros - a nossa viagem de bicicleta de Mossoró(RN) até Juazeiro do Norte(CE). Foi a maior viagem desde que eu entrei para os Trilheiros com 420 km percorridos por 3 estados (RN, PB e CE). 

Trilheiros na saída para a viagem
Como costumamos pedalar somente à noite para evitar o calor, diminuir o desgaste e melhorar o desempenho, a viagem se deu em duas etapas: Saímos de Mossoró às 16h do dia 14/11, pedalamos durante toda a noite e chegamos na manhã do dia seguinte(15) à cidade de São João do Rio do Peixe(PB), por volta das 06h. Lá chegando nos hospedamos em um hotel chamado Brejo das Freiras” para descansar durante o dia. O lugar oferece banhos quentes com águas termominerais, piscina, almoço, jantar, quartos com ar condicionado para quem precisa dormir de dia e café da manhã, o que no nosso caso era indispensável depois de uma noite inteira pedalando. O Brejo das Freiras é um pouco mal cuidado mas é bonito, não é caro e principalmente nos deu aquilo que precisávamos. Deixamos o hotel às 19h do mesmo dia, seguimos viagem e chegarmos em Juazeiro do Norte às 09h do dia 16/11.

Trilheiros saindo de Mossoró e pegando a estrada
Viagens assim são extremamente difíceis e não só pela distância. No caso de Juazeiro por exemplo, o trecho possui subidas surreais como as da “serra de barros” o que demanda um grande esforço para vencê-las; os acostamentos muitas vezes não existem ou são acidentados e possuem armadilhas como pedaços de pneus, pedras e madeira que podem derrubar o ciclista; a sensação de fragilidade e exposição estão sempre presentes quando veículos pesados e de passeio passam por nós a velocidades incríveis; como se não bastasse em trechos remotos há sempre o risco de sermos abordados por bandidos; por fim, o corpo é levado ao seu limite e cobra o preço de tamanho desgaste nos dias posteriores.

As viagens de longa distância geralmente acontecem à noite e atravessam a madrugada
Não raramente sou questionado sobre o que me move e por que fazer viagens longas e arriscadas de bicicleta? Não há uma explicação racional para isso, somos movidos pela paixão, gostamos do cicloturismo, da adrenalina, de superar desafios e testar os limites do corpo. O objetivo é chegar a lugares de uma forma como quase ninguém chega. Quando alcançamos um destino, ele parece bem mais interessante e tudo é valorizado pelo esforço que empreendemos para alcançá-lo.

A estátua do Padre Cícero é a maior atração turística de Juazeiro do Norte

No caso da viagem para Juazeiro o grande objetivo, o nosso "troféu", foi a visita à estátua do Padre Cícero Romão Batista.

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30 julho 2014

Varginha-MG a Roswell tupiniquim.

Nave do ET: Monumento mais popular de Varginha e cartão postal da cidade.

Na primeira vez em que ouvi falar em Varginha, no ano de 1996, nunca imaginei que teria a oportunidade de conhecer a cidade mineira que ganhou projeção nacional a partir da suposta aparição de um extraterrestre por lá. Mas a oportunidade surgiu neste ano de 2014: um primo estava de casamento marcado e a noiva era de Varginha. Fui convidado para a cerimônia, arrumei as malas e fui bater na terra dos ETs.

Varginha me surpreendeu. É uma cidade que fica no Sul das Minas Gerais cuja economia gira em torno do café, tem cerca de 150 mil habitantes e é muito desenvolvida. É uma cidade pequena com jeito de cidade grande. Estar no centro de varginha é como estar no centro de uma grande cidade e o visitante dispõe de agências bancárias, cantinas, bares, lojas, restaurantes, prédios comerciais e toda a infraestrutura de uma capital. Como consegui apurar através de conversas com moradores, Varginha ainda está na "infância da violência" e apesar do crack já ter chegado por lá, a maioria das ocorrências ainda são de baixo potencial ofensivo. É uma cidade tranquila.

Roswell à mineira

Antes de explorar a cidade quis saber mais a respeito do acontecimento que projetou a cidade nacionalmente. Não fui pesquisar na internet e também não me ative a informações registradas na imprensa, nada melhor do que o relato de um morador. Contratamos um taxista para nos guiar pela cidade e comecei a especular sobre a história. Para a minha sorte ele gostava de conversar e eu comecei a provocá-lo. Ele sabia a história completa e me detalhou tudo. Segundo o Sr. O...em 1996 umas meninas do Jardim Andere, bairro de Varginha que tem uma reserva florestal, estavam brincando na mata quando deram de cara com uma criatura esquisita. Segundo descreveram a criatura tinha a pela marrom e oleosa, era pequena, tinha grandes olhos vermelhos e boca pequena. As meninas perceberam que ela estava ferida e chamaram a polícia. A polícia, por sua vez, não soube lidar com a situação e chamou o corpo de bombeiros. 

Ninguém teve coragem de ter contato com o ET e avisaram ao exército, porém, um oficial dos bombeiros resolveu pegar o bicho e o levá-lo para um hospital local. Dois dias depois de ter tido contato com a criatura, o oficial morreu de uma infecção generalizada. Muitos acreditam que a sua morte tem relação com o contato com o ET. Quando o exército chegou, isolou tudo e desapareceu com o ET. Segundo Sr. O...ninguém sabe para onde o exército o levou.

Embora tudo pareça muito fantasioso a história é levada a sério. Quando eu disse que era jornalista e que relataria a minha experiência em Varginha no meu blog, a expressão do taxista mudou rapidamente. De risonho ele passou para um semblante preocupado e pediu para que eu não citasse o nome dele no relato. Segundo ele, todos os envolvidos diretos no episódio do ET, são pressionados pelo exército para que permaneçam calados. O exército, por sua vez, sempre negou a história do ET de Varginha.. Resolvi preservar a identidade do motorista. 

Como chegar: O aeroporto de Varginha não recebe voos regulares, logo, chegar à cidade pelo ar é muito caro e não compensa. Pegamos um voo de Fortaleza(CE) para Guarulhos(SP), chegando lá pegamos uma van previamente fretada que nos ajudou a percorrer os 320 km restantes até o nosso destino. É uma viagem longa, porém, as paisagens são muito bonitas o que ajuda a passar o tempo. 

Onde ficar: A cidade tem vários hotéis, não conheço todos obviamente, mas posso recomendar o que me hospedei, o Class Hotel, um lugar simpático, confortável, com funcionários atenciosos e educados, silencioso e café da manhã excelente. São várias opções de acomodações com diárias condizentes com o mercado, o custo benefício é ótimo e gostei muito da estadia. Destaque para a máquina de café que fica à disposição dos hóspedes e que mói os grãos na hora (acho que o que tomei de café já pagou a estadia).

Passei pouco tempo em Varginha, mas visitei os principais pontos turísticos a pé(o que gosto de fazer), visitei uma fazenda de café com casarão belíssimo que tem cerca de 200 anos, fui duas noites seguidas a um restaurante muito bom, como há muito tempo não frequentava e claro, fui à cerimônia de casamento para a qual fui convidado e à recepção em um salão de eventos de Varginha. O tempo estava frio, cerca de 10ºC, o que tornou a minha passagem pela cidade mais agradável.

Nave do ET: É o ponto mais conhecido da cidade mineira de Varginha e fica no centro(foto do início do artigo). O monumento nada mais é do que uma caixa d'água construída pela empresa de distribuição de água de Minas Gerais. Durante a noite ela fica toda iluminada dando a impressão de ser realmente um OVNI. Por ser um monumento muito singular, vale a pena visitá-lo. Logo abaixo da nave é possível encontrar um simpático ETzinho, outro monumento bastante fotografado da cidade de Varginha.

ETzinho que fica embaixo da nave: Simpático.

Praças dos ETs: No mesmo perímetro é possível encontrar várias estátuas de ETs nas praças do centro de Varginha. Essas estátuas foram construídas com base na descrição das testemunhas que viram o suposto ET que apareceu na cidade.



Zona Rural / Fazendas de café: Visitei também a zona rural de Varginha, importante polo produtor de café do Brasil. O café ainda é a locomotiva da economia da região. A paisagem é incomparável.

Ao fundo uma plantação de café


Sede da fazenda Bananal em Varginha-MG. A casa tem mais de 200 anos e é mantida "original" pelo proprietário. Ela está do mesmo jeito da época em que foi construída, não obstante os efeitos do tempo. Entrar na casa é como viajar no tempo. Apesar do nome "Bananal" a fazenda só produz café. De lá sai café tipo exportação de qualidade incomparável que é enviado para a Europa e EUA.


Ao lado do Sr. Luís, proprietário da fazenda "Bananal", gostei muito de conhecê-lo. Homem de poucas palavras mas muito gente fina. Grande produtor de café e sabe tudo sobre a bebida. Aprendi muito sobre café com ele que me disse a respeito do produto vendido em supermercado: "Infelizmente o brasileiro não sabe o que é café bom e se acostumou a tomar porcaria".


RELÍQUIAS - Encontrei dois exemplares originais da primeira geração de telefones. Fazem parte da mobília da sede da fazenda Bananal...


...juntamente com esse relógio de 164 anos que ainda funciona perfeitamente. Segundo o Sr. Luís ele chegou à fazenda Bananal em 1850 e foi importado da França pelos antigos donos nos tempos áureos do café.

Terreiro de seca de café

"Café é seco em terreno de barro, em terreno pavimentado com manta asfáltica, pavimentado com concreto e também suspenso. Cada processo dá um sabor diferente ao café", explica Sr. Luís. No caso da fazenda Bananal o processo de secagem é "seca de café em terreno pavimentado com concreto", fala-se "séca". Dessa seca aí saem 3 tipos de café, inclusive o tipo exportação, de qualidade nobre e que tive o prazer de experimentar na fazenda.

Restaurante: É a mesma situação do hotel, não conheço todos os restaurantes e bares de Varginha, mas indico sem medo o Braseado (Fanpage), um lugar super agradável. Eu passei 3 noites em Varginha, sendo duas delas no Braseado, só para se ter uma ideia de como gostei do lugar. O restaurante é ótimo. Tudo muito agradável, comida boa, atendimento de primeira e ainda tem uma história curiosa e emocionante sobre o lugar.

Quando fui ao banheiro notei na parede umas fotos de uma cadelinha em vários momentos no espaço do restaurante. Curioso, perguntei à maître do que se tratava. Ela me explicou que quando o restaurante estava sendo montado apareceu por lá uma cadelinha vira-lata que passou a acompanhar as obras diariamente. O dono do local acabou se afeiçoando à simpática cachorrinha e a adotou. A ela foi dado o nome de "boneca", que está viva e é muito amada e bem cuidada pela família que a acolheu.

 Braseado Restaurante Brasileiro
 Braseado Restaurante Brasileiro

 Braseado Restaurante Brasileiro

 Braseado Restaurante Brasileiro
  
Visitar varginha foi muito gratificante. Trouxe um pouco da cidade comigo e deixei um pouco de mim por lá, é por isso que, como escreveu Mario Quintana, "Viajar é mudar a roupa da alma."  

Fotos: Allan Erick.



22 maio 2014

Bicicletada: Mossoró-RN / Santa Cruz-RN, 280 km de pedal.


A minha primeira grande viagem de bike com o meu grupo, os “Trilheiros”, foi para a cidade de Santa Cruz, a cerca de 270 km de Mossoró. A aventura aconteceu entre os dias 17 e 18 de maio e foi planejada com 3 meses de antecedência, incluso nesse período os treinos. A proposta do nosso grupo não é a competição e sim o cicloturismo, a aventura e a superação dos limites do corpo.

Para a viagem de Santa Cruz alugamos uma van equipada com reboque específico para transportar 15 bicicletas. Isso é necessário, pois imprevistos acontecem, como prego nas bicicletas e cansaço físico. A van serve também como carro de apoio e leva água e alimentos que ajudam a superar o desafio, mas o principal objetivo do carro é trazer os ciclistas de volta, já que a viagem é só de ida.

A viagem

Trilheiros no ponto de encontro antes da viagem: concentração e descontração

A cidade de Santa Cruz no RN é conhecida por ser um local de peregrinação, é lá que fica a gigantesca estátua de Santa Rita de Cássia, a maior estátua do continente americano e maior imagem católica do mundo com cerca de 56 metros de altura. Para conhecer o monumento, entretanto, era preciso primeiro encarar 270 km pedalando.


Saímos de Mossoró às 16h30 do dia 17 de maio de 2014 rumo a Santa Cruz. Foram cerca de 17h pedalando, atravessando cidades madrugada adentro, transpondo serras (uma das quais com 7 km), aclives bastante acentuados e enfrentando alguns trechos de estrada bem esburacados, isso foi péssimo para mim que estava em uma speed. Os ciclistas mais experientes do meu grupo afirmaram categoricamente que foi um dos trechos mais pesados que já fizeram.

Aqui estávamos na cidade de Jucurutu-RN, por volta de 02h00 da madrugada.

Nas 17 horas pedalando passamos pelas cidade de Upanema, Campo Grande, Jucurutu, Florânia, São Vicente, Currais Novos e finalmente Santa Cruz, onde chegamos por volta das 10h do dia 18 de maio. Dos 15 trilheiros 6 não conseguiram completar a viagem, a maioria deles subiu na van na cidade de Currais novos, quando ainda restavam 65 km. Mesmo assim são vitoriosos e superaram os seus limites. Eu, felizmente consegui completar o trajeto. 

Quando chegamos fomos então conhecer a estátua de Santa Rita de Cássia. 


Não era possível subir com a bike na área onde fica a estátua, por isso tive que fazer a tradicional foto do ciclista ostentando a bicicleta embaixo da estátua mesmo.





Estátua de Santa Rita de Cássia, a maior estátua do continente americano e maior imagem católica do mundo com 56 metros de altura.

08 maio 2014

Martins-RN

Igreja de Martins, um dos símbolos da cidade

A minha história com a cidade de Martins, localizada no Alto Oeste Potiguar, é recente e intensa. Quando lá estive pela primeira vez, em 2011 a trabalho, fiquei encantado com a beleza natural e as temperaturas amenas, bem abaixo da média em relação às demais cidades da região do semi-árido. Foi amor à primeira vista. Logo que o carro vence os 5 km de uma subida ladeada por paisagens deslumbrantes, o clima se manifesta, o ar é mais puro, o povo simples e hospitaleiro olha curioso o veículo que não é da cidade. A vida passa devagar em Martins e tudo isso a somente 148 km de Mossoró, cidade onde moro, e a 375 km da capital do Rio Grande do Norte, Natal.

Atualmente Martins é um refúgio de tranquilidade, um contraste com a violência que assola Mossoró e suas temperaturas escaldantes. A cidade ainda é segura e tem baixíssimos índices de violência. Os policiais recolhem as viaturas às 18h, horário em que a temperatura começa a cair, mesmo assim é possível andar pelas ruas pouco movimentadas sem se preocupar. As pessoas comemoram aniversários, festas de noivado, etc...com os portões abertos e mesmo por volta das 23h, é um ótimo programa se sentar do lado de fora de uma lanchonete, conversar, beber uma cerveja, comer alguma coisa sem aquela sensação de insegurança que experimentamos nas cidades de grande e médio porte.

Noite em Martins: Friozinho.

É por essas e outras que os mossoroenses estão descobrindo Martins, um lugar onde se pode descansar e recarregar as energias ou então se aventurar em trilhas e passeios de bicicleta. Eu faço as duas coisas.

Onde ficar: Em Martins existe uma variedade de pousadas para todos os gostos e bolsos e dois bons hotéis.

Mirantes: Uma das melhores atrações de Martins são os seus mirantes, onde se pode apreciar toda a beleza da região serrana. São quatro: O mirante do Jacu, também conhecido como mirante da Carranca; o Mãe Guilé, o Mirante do Canto e o Encanto da Serra. Todos têm uma ótima estrutura e contam com serviços de bar, restaurante e wi-fi, o que muda é o visual. Vale muito a pena visitar os mirantes em todos os horários.

Mirante do Jacu

Mirante do Jacu

Mirante do Canto

Mirante do Canto

Casa de Pedra: Outra grande atração da região é a casa de pedra, uma enorme caverna de 100m de comprimento, datada do período pré-cambriano. A casa de pedra é dividida em vários espaços menores, alguns muito profundos e escuros. Possui uma sala com 18 metros de comprimento por 12 de largura,  o teto alcança 10 metros de altura. No centro da sala maior há uma enorme "estalagmite" reconhecida oficialmente como a segunda maior do País. Há duas formas de se chegar à casa de pedra: Pela estrada, de carro, ou fazendo uma trilha. No primeiro caso pega-se uma estrada vicinal antes de subir a serra de Martins, ela dá acesso à casa de pedra e o visitante pode ir de carro. A segunda opção é pra quem gosta de aventura, pois é preciso descer e subir a serra a pé por uma trilha bastante difícil e pesada. Eu preferi a segunda opção.

Trilha para a Casa de Pedra: 6 km ida e volta

Casa de Pedra
Casa de Pedra

Martins tem outras atrações, tem o festival gastronômico e mais trilhas para as cachoeiras da Umarizeira e o açude poções, mas são assuntos para outro post. Depois que eu me aventurar nas trilhas para as cachoeiras e participar do festival gastronômico, compartilho a experiência com vocês, porém, o bom mesmo é conhecer e curtir Martins-RN.