30 julho 2014

Varginha-MG a Roswell tupiniquim.

Nave do ET: Monumento mais popular de Varginha e cartão postal da cidade.

Na primeira vez em que ouvi falar em Varginha, no ano de 1996, nunca imaginei que teria a oportunidade de conhecer a cidade mineira que ganhou projeção nacional a partir da suposta aparição de um extraterrestre por lá. Mas a oportunidade surgiu neste ano de 2014: um primo estava de casamento marcado e a noiva era de Varginha. Fui convidado para a cerimônia, arrumei as malas e fui bater na terra dos ETs.

Varginha me surpreendeu. É uma cidade que fica no Sul das Minas Gerais cuja economia gira em torno do café, tem cerca de 150 mil habitantes e é muito desenvolvida. É uma cidade pequena com jeito de cidade grande. Estar no centro de varginha é como estar no centro de uma grande cidade e o visitante dispõe de agências bancárias, cantinas, bares, lojas, restaurantes, prédios comerciais e toda a infraestrutura de uma capital. Como consegui apurar através de conversas com moradores, Varginha ainda está na "infância da violência" e apesar do crack já ter chegado por lá, a maioria das ocorrências ainda são de baixo potencial ofensivo. É uma cidade tranquila.

Roswell à mineira

Antes de explorar a cidade quis saber mais a respeito do acontecimento que projetou a cidade nacionalmente. Não fui pesquisar na internet e também não me ative a informações registradas na imprensa, nada melhor do que o relato de um morador. Contratamos um taxista para nos guiar pela cidade e comecei a especular sobre a história. Para a minha sorte ele gostava de conversar e eu comecei a provocá-lo. Ele sabia a história completa e me detalhou tudo. Segundo o Sr. O...em 1996 umas meninas do Jardim Andere, bairro de Varginha que tem uma reserva florestal, estavam brincando na mata quando deram de cara com uma criatura esquisita. Segundo descreveram a criatura tinha a pela marrom e oleosa, era pequena, tinha grandes olhos vermelhos e boca pequena. As meninas perceberam que ela estava ferida e chamaram a polícia. A polícia, por sua vez, não soube lidar com a situação e chamou o corpo de bombeiros. 

Ninguém teve coragem de ter contato com o ET e avisaram ao exército, porém, um oficial dos bombeiros resolveu pegar o bicho e o levá-lo para um hospital local. Dois dias depois de ter tido contato com a criatura, o oficial morreu de uma infecção generalizada. Muitos acreditam que a sua morte tem relação com o contato com o ET. Quando o exército chegou, isolou tudo e desapareceu com o ET. Segundo Sr. O...ninguém sabe para onde o exército o levou.

Embora tudo pareça muito fantasioso a história é levada a sério. Quando eu disse que era jornalista e que relataria a minha experiência em Varginha no meu blog, a expressão do taxista mudou rapidamente. De risonho ele passou para um semblante preocupado e pediu para que eu não citasse o nome dele no relato. Segundo ele, todos os envolvidos diretos no episódio do ET, são pressionados pelo exército para que permaneçam calados. O exército, por sua vez, sempre negou a história do ET de Varginha.. Resolvi preservar a identidade do motorista. 

Como chegar: O aeroporto de Varginha não recebe voos regulares, logo, chegar à cidade pelo ar é muito caro e não compensa. Pegamos um voo de Fortaleza(CE) para Guarulhos(SP), chegando lá pegamos uma van previamente fretada que nos ajudou a percorrer os 320 km restantes até o nosso destino. É uma viagem longa, porém, as paisagens são muito bonitas o que ajuda a passar o tempo. 

Onde ficar: A cidade tem vários hotéis, não conheço todos obviamente, mas posso recomendar o que me hospedei, o Class Hotel, um lugar simpático, confortável, com funcionários atenciosos e educados, silencioso e café da manhã excelente. São várias opções de acomodações com diárias condizentes com o mercado, o custo benefício é ótimo e gostei muito da estadia. Destaque para a máquina de café que fica à disposição dos hóspedes e que mói os grãos na hora (acho que o que tomei de café já pagou a estadia).

Passei pouco tempo em Varginha, mas visitei os principais pontos turísticos a pé(o que gosto de fazer), visitei uma fazenda de café com casarão belíssimo que tem cerca de 200 anos, fui duas noites seguidas a um restaurante muito bom, como há muito tempo não frequentava e claro, fui à cerimônia de casamento para a qual fui convidado e à recepção em um salão de eventos de Varginha. O tempo estava frio, cerca de 10ºC, o que tornou a minha passagem pela cidade mais agradável.

Nave do ET: É o ponto mais conhecido da cidade mineira de Varginha e fica no centro(foto do início do artigo). O monumento nada mais é do que uma caixa d'água construída pela empresa de distribuição de água de Minas Gerais. Durante a noite ela fica toda iluminada dando a impressão de ser realmente um OVNI. Por ser um monumento muito singular, vale a pena visitá-lo. Logo abaixo da nave é possível encontrar um simpático ETzinho, outro monumento bastante fotografado da cidade de Varginha.

ETzinho que fica embaixo da nave: Simpático.

Praças dos ETs: No mesmo perímetro é possível encontrar várias estátuas de ETs nas praças do centro de Varginha. Essas estátuas foram construídas com base na descrição das testemunhas que viram o suposto ET que apareceu na cidade.



Zona Rural / Fazendas de café: Visitei também a zona rural de Varginha, importante polo produtor de café do Brasil. O café ainda é a locomotiva da economia da região. A paisagem é incomparável.

Ao fundo uma plantação de café


Sede da fazenda Bananal em Varginha-MG. A casa tem mais de 200 anos e é mantida "original" pelo proprietário. Ela está do mesmo jeito da época em que foi construída, não obstante os efeitos do tempo. Entrar na casa é como viajar no tempo. Apesar do nome "Bananal" a fazenda só produz café. De lá sai café tipo exportação de qualidade incomparável que é enviado para a Europa e EUA.


Ao lado do Sr. Luís, proprietário da fazenda "Bananal", gostei muito de conhecê-lo. Homem de poucas palavras mas muito gente fina. Grande produtor de café e sabe tudo sobre a bebida. Aprendi muito sobre café com ele que me disse a respeito do produto vendido em supermercado: "Infelizmente o brasileiro não sabe o que é café bom e se acostumou a tomar porcaria".


RELÍQUIAS - Encontrei dois exemplares originais da primeira geração de telefones. Fazem parte da mobília da sede da fazenda Bananal...


...juntamente com esse relógio de 164 anos que ainda funciona perfeitamente. Segundo o Sr. Luís ele chegou à fazenda Bananal em 1850 e foi importado da França pelos antigos donos nos tempos áureos do café.

Terreiro de seca de café

"Café é seco em terreno de barro, em terreno pavimentado com manta asfáltica, pavimentado com concreto e também suspenso. Cada processo dá um sabor diferente ao café", explica Sr. Luís. No caso da fazenda Bananal o processo de secagem é "seca de café em terreno pavimentado com concreto", fala-se "séca". Dessa seca aí saem 3 tipos de café, inclusive o tipo exportação, de qualidade nobre e que tive o prazer de experimentar na fazenda.

Restaurante: É a mesma situação do hotel, não conheço todos os restaurantes e bares de Varginha, mas indico sem medo o Braseado (Fanpage), um lugar super agradável. Eu passei 3 noites em Varginha, sendo duas delas no Braseado, só para se ter uma ideia de como gostei do lugar. O restaurante é ótimo. Tudo muito agradável, comida boa, atendimento de primeira e ainda tem uma história curiosa e emocionante sobre o lugar.

Quando fui ao banheiro notei na parede umas fotos de uma cadelinha em vários momentos no espaço do restaurante. Curioso, perguntei à maître do que se tratava. Ela me explicou que quando o restaurante estava sendo montado apareceu por lá uma cadelinha vira-lata que passou a acompanhar as obras diariamente. O dono do local acabou se afeiçoando à simpática cachorrinha e a adotou. A ela foi dado o nome de "boneca", que está viva e é muito amada e bem cuidada pela família que a acolheu.

 Braseado Restaurante Brasileiro
 Braseado Restaurante Brasileiro

 Braseado Restaurante Brasileiro

 Braseado Restaurante Brasileiro
  
Visitar varginha foi muito gratificante. Trouxe um pouco da cidade comigo e deixei um pouco de mim por lá, é por isso que, como escreveu Mario Quintana, "Viajar é mudar a roupa da alma."  

Fotos: Allan Erick.



Nenhum comentário:

Postar um comentário