29 agosto 2017

Luiz Inácio Lula do Brasil

Lula em Mossoró (foto: Ricardo Stuckert)

Passou por Mossoró-RN, no dia 28 de agosto de 2017, a caravana “Lula Pelo Brasil.” Para receber o ex-presidente foi montado um palco na “Estação das Artes Elizeu Ventania,” espaço cultural que recebe grandes eventos na cidade. Notícias corriam de que a caravana, no percurso entre Currais Novos-RN e Mossoró, foi obrigada a fazer 4 paradas não programadas. O povo queria ver, tocar, ouvir e falar com Lula.

Chegamos ao local do evento, eu minha noiva e uma amiga, pouco antes das 18h. Uma brisa refrescante dava lugar ao calor tórrido do semi-árido. Fomos em direção ao palco e chegamos o mais próximo possível. O clima era leve, amistoso e alegre. A maioria vestia camisas vermelhas com a estrela do PT, com o rosto de Lula ou seu nome estampado.

Os músicos se apresentavam e nos intervalos entre uma música e outra o mestre de cerimônia avisava, “Já já tem o presidente Lula aqui no palco”, e o povo festejava, “Lula eu te amo”, “Olê, olê, olê, olá...Lula, Lula”, “Lula guerreiro do povo brasileiro...”, era impossível não se emocionar. Mas Lula não chegou ao local no horário marcado. As pessoas não deixavam ele sair do hotel, queriam construir um momento com o maior líder político da história do Brasil e registrar no celular ou na memória.

Quando finalmente Lula foi anunciado o público explodiu e cada um homenageava o presidente a seu modo. Eram Bandeiras, cartazes, flashes de celulares, gritos, aplausos, braços em riste com os punhos fechados, acenos...vi aquela figura frágil caminhar sobre o palco, um homem já idoso, de cabelos brancos quase totalmente encobertos por um pequeno chapéu Panamá, camisa branca de mangas longas, um semblante cansado e suado. Era Lula. Contrastando o aspecto cansado ele jogou os braços efusivamente para o alto, saudando a multidão que estava ali para vê-lo. Engoli o choro...

Depois de inúmeras homenagens, depoimentos, presentes, abraços, fotos e da fala de lideranças políticas e sindicais, chegou a hora de ouvir Lula. Quase sem voz, resultado da combinação do esforço vocal e uma gripe, o ex-presidente começa a discursar. Lula tem o dom da palavra, fala a linguagem do povo que parece hipnotizado ouvindo o que ele tem a dizer sobre Brasil, economia, política e a perseguição covarde que sofre. Se esforça, a voz falha, toma mais um gole de água e continua até o seu limite, “vou parar antes que eu perca a voz.” Na saída nova correria do povo em busca da tão sonhada foto com Lula.

Lula em Mossoró (foto: Ricardo Stuckert)

De onde vem a força deste homem? Um senhor com quase 72 anos que sofre uma das perseguições jurídicas e midiáticas mais sórdidas que esse país já viu, e que mesmo depois de perder a companheira de mais de 40 anos ainda tem energia para percorrer o Brasil de ônibus, conversando com o povo e levando sua mensagem de esperança nesses tempos sombrios? Um homem que desperta tanto amor e ao mesmo tempo é vítima de uma campanha de ódio tão implacável e abjeta?

Tomo a liberdade de citar o Padre Guimarães, que em texto publicado sobre Lula em sua página no facebook, responde a essas questões com muita lucidez. Diz o religioso:  “Dá para entender as motivações de tanto ódio: seu carisma, sua profunda identificação com o povo... e seu amor apaixonado pelo Brasil.” O que faz Lula ser odiado pelas elites e os que se acham elite, é exatamente aquilo que o motiva e faz dele a figura messiânica que é para o povo: carisma, identificação com as pessoas mais simples e amor incondicional pelo Brasil. 

As imagens da caravana falam por si só. Quer se goste ou não, se aceite ou não, Lula é um fenômeno político e eleitoral, sua importância e legado ultrapassam o seu tempo biológico. Daqui a 100, 200, 300 anos ainda se ouvirá falar do legado de Lula do Brasil. Lula é imortal.

Um comentário:

  1. Texto lindo... maravilhoso! Esse foi um dia especial, e ficará para sempre na nossa memória!

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