19 setembro 2017

A Síria é aqui

Entre a última sexta-feira(15) e o domingo (17) o estado do Rio Grande do Norte contabilizou 30 mortes violentas. Neste ano o "assassinômetro" já registra 1.780 mortes violentas no estado, uma média de 07 pessoas mortas dessa forma a cada dia (isso significa que quando este texto for publicado a contagem estará mais próxima de 2 mil). São números que fazem de 2017 o ano mais violento da história do RN. Se considerarmos o ano de 2015 os crimes de homicídio tiveram aumento de 60%. Já em relação ao mesmo período do ano passado o crescimento foi de 26,7%. Não custa lembrar que ainda estamos em setembro de 2017. 

Esse levantamento foi feito pelo Observatório da Violência Letal Intencional (OBVIO), instituto que contabiliza e analisa os crimes contra a vida. A secretaria de segurança pública do estado não comenta os dados publicados pelo observatório, já que não concorda com sua metodologia.

Não bastasse a impressionante contagem de cadáveres, os potiguares também convivem com a escalada de outros crimes como assaltos a comércios, roubos de veículos, assaltos a carros forte, explosão de caixas eletrônicos, arrastões, invasões de domicílios, etc. Nem mesmo as forças de segurança estão livres da violência. Só este ano 14 policiais já foram assassinados. Em Mossoró guardas civis são assaltados em pleno exercício do trabalho.

Não é preciso ser um especialista para saber que o estado falha em sua prerrogativa constitucional de dar segurança aos cidadãos. O governador Robinson Faria (PSD) é um falastrão que chegou a declarar que a imprensa era a culpada pela violência que assola o RN. Mas sejamos justos, embora tenha sido eleito com o slogan "o Governador da Segurança", Robinson não é o único culpado. O quadro de violência endêmica é resultado da negligência de sucessivos governos sem o menor compromisso com o povo e o estado. O RN também é refém de uma classe política que está entre as piores do país, e olhe que a concorrência não é pequena e muito menos fácil.

Não há perspectivas de melhora. A quem acredita resta rezar, do contrário o jeito é contar com a sorte.

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