10 setembro 2017

A delação de Antonio Palocci

A delação premiada de Antônio Palocci, ex-ministro dos governos Lula e Dilma, é o assunto do momento. A grande imprensa deixou em segundo plano os 51 milhões do Geddel Vieira e fez "ouvidos moucos" às denúncias contra a Sra. Moro, feitas pelo advogado Tacla Duran. Mas são assuntos para outros artigos, ou talvez não.

Já li incontáveis vezes a frase (e suas variantes): "A delação do Palocci é devastadora para Lula." Era exatamente a mesma coisa que se dizia da delação do ex-senador Delcídio do Amaral, em 2016, quando ele foi preso na operação lava jato. Na época a delação do então senador pelo PT era a aposta do partido da mídia, setores do Judiciário e Ministério Público para destruir o PT e finalmente colocar Lula na cadeia. 


A revista IstoÉ, com indisfarçável empolgação, publicou em 09.03.2016 matéria sobre o conteúdo "bombástico" da delação de Delcídio: "Revelações do senador à força-tarefa da lava jato, obtidas por ISTOÉ, complicam de vez a situação da presidenta Dilma e comprometem Lula."

Um ano e seis meses depois, de forma mais discreta, a grande mídia publicou as conclusões do Ministério Público Federal sobre a delação do ex-senador. Em 01.09.2017 uma manchete do Valor dizia: "MPF diz que Delcídio mentiu e pede absolvição de Lula e André Esteves.

O mundo jurídico, até mesmo os membros mais engajados na perseguição ao ex-presidente Lula, sabem que delações não são provas, principalmente se essas delações são feitas por pessoas fragilizadas por longos períodos de prisão e sem perspectiva de liberdade. A Delação de Palocci é como todas as outras, ele falou o que o califado de Curitiba quis (desmentindo o primeiro depoimento) e não apresentou um grama de prova. É esse o método obscuro da lava jato, uma nova forma de tortura que prolonga as prisões preventivas até que o acusado fale exatamente o que eles querem ouvir, mesmo que seja uma mentira. Só então é dado a ele algum tipo de benefício.

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