15 dezembro 2017

A esquerda destra


O discurso de alguns presidenciáveis reflete bem a desunião da esquerda no Brasil. Seja por oportunismo ou ambição eleitoral, figuras como Guilherme Boulos e Ciro Gomes acabam, em suas declarações, fazendo o jogo da direita.

Guilherme Boulos, provável candidato a presidente da república pelo PSOL, disse em entrevista ao Valor que "o ciclo do do PT se encerrou." No início desta semana Fernando Henrique, buscando corrigir uma declaração onde chamava Lula para a disputa nas urnas e não nos tribunais, afirmou que "Lula matou-se politicamente ao decepcionar o eleitor." 

Duas observações são pertinentes. A primeira delas é o descolamento da realidade de ambos. Como um partido que está "no fim" e com seu maior líder "morto politicamente" é o favorito na corrida presidencial de 2018, como demonstram todas as pesquisas? Vale observar também a semelhança do discurso do lesa-pátria FHC e do combativo líder do MTST, Boulos. Ambos apostam nessa "análise" que circula na grande mídia desde 2004, o do "fim de Lula e do PT". É Incrível o amor platônico que a esquerda cirandeira tem pela direita.

Em relação a Ciro Gomes, nome do PDT para concorrer ao planalto, declarou esta semana que "justiça boa é justiça rápida," um elogio ao  TRF-4 que decidiu julgar Lula em 24 de janeiro de 2018, no processo mais rápido da história do país. Ciro continua sendo um político que admiro, é preparado, conhece o Brasil como poucos e pela sua grande capacidade intelectual, mas como presidenciável caiu na vala comum de tentar angariar capital eleitoral às custas do antipetismo e da perseguição judicial e covarde que sofre o ex-presidente Lula.

Não acredito que essa estratégia funcione. Boulos e Ciro desgastam as suas imagens com o eleitor petista e jamais terão votos da direita que detesta os dois.

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