06 janeiro 2018

Black Mirror e a tecnologia da imortalidade


Uma das melhores séries da Netflix, Black Mirror, que está em sua quarta temporada, traz ao telespectador questões tão assustadoras quanto possíveis em um futuro que não dá para saber se está distante ou mais próximo do que se imagina.

A série é composta por episódios independentes, contos, cuja temática central é a transformação da sociedade diante de uma tecnologia sem limites, que reduziu o ser humano a mero coadjuvante.
A obsessão pela exposição nas redes sociais e na mídia é mostrada de forma crítica e irônica, mas o que mais chama a atenção nos episódios de Black Mirror são os episódios que abordam a possibilidade de vencer a morte, não através do desenvolvimento da medicina, mas de tecnologias que possibilitam o upload da consciência para aplicações diversas. Um doente terminal poderia, por exemplo, autorizar o upload de sua consciência e decidir o que fazer com ela: Que tal “viver” eternamente em um cemitério – na verdade um programa de computador – com praias paradisíacas e ao lado de amigos e familiares que tenham feito a mesma opção? Ou fazer o download de sua consciência em uma cópia, um boneco de alta tecnologia feito à imagem e semelhança, e continuar no mundo real. Há também a opção – e essa é uma péssima ideia – de ter a consciência implantada em um “hospedeiro” que passa a dividir angústias, frustrações e toda a sorte de pensamentos com a consciência implantada.

A grande questão em volta de tudo isso é a ética em relação a essa tecnologia que poderia proporcionar a imortalidade: Não seria muito chato viver eternamente? E se mudássemos de ideia, poderíamos pedir que fossemos “deletados?” Deletar uma consciência não seria o equivalente a uma eutanásia? Que mercados e interesses surgiriam em volta dessa tecnologia da imortalidade? Ela seria acessível a todos ou, como qualquer outro produto do capitalismo, apenas mais um produto exclusivo e excludente?
  
No seriado as consequências dessa tecnologia sem controle são abordadas de forma irônica, até mesmo com um certo exagero proposital,  afinal, não há como imaginar que uma sociedade com extratos sociais definidos por popularidade em redes sociais, seja algo além de uma multidão de palermas ingênuos.

A partir de Black Mirror, pode se pensar os limites éticos da tecnologia, as transformações culturais que ela acarreta, seus efeitos em cada indivíduo e os potenciais riscos que representa.

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