23 janeiro 2018

The New York Times: Democracia do Brasil empurrada para o abismo

O “The New York Times”, mais importante jornal dos Estados Unidos e um dos mais conceituados do mundo, publicou nesta terça-feira (23), véspera do julgamento de Lula, maior liderança política do continente, um contundente artigo escrito por Mark Weisbrot (economista e diretor do Centro para Pesquisas Econômicas e Políticas Públicas em Washington) que faz uma análise da situação da democracia no Brasil. O economista também faz uma crítica a parcialidade e politização do judiciário brasileiro, fenômeno que teve início com o julgamento da AP 470, vulgo "mensalão", e perdeu qualquer pudor depois da "Operação Lava-Jato," tida por muitos como mera operação montada para destruir o PT, caçar os direitos políticos de Lula e destruir a economia do país.

Weisbrot, na verdade, não diz nada além do que a imprensa alternativa já vem publicando há tempos. Mas chama a atenção que um veículo do porte do "The New York Times," dê voz ao contraditório, algo que não acontece na grande imprensa brasileira.   

Reproduzo aqui a análise do artigo, traduzido pelo Conversa Afiada:

Ele abre o texto afirmando que o Estado de Direito e a independência do Judiciário é algo suscetível a mudanças bruscas em vários países. No Brasil, “uma democracia jovem”, o que poderia ser um grande avanço quando o Partido dos Trabalhadores garantiu independência ao Judiciário para investigar políticos, acabou se transformando no oposto, escreve Weisbrot. Para ele, como resultado, “a democracia brasileira é agora mais frágil do que era logo quando acabou a ditadura militar”. 

O texto afirma que, às vésperas do julgamento de Lula, não há muita esperança de que a decisão será “imparcial”, uma vez que um dos juízes já afirmou que a decisão de condenar Lula foi “tecnicamente irrepreensível”. Para o autor, as evidências contra Lula são frágeis e estão abaixo dos padrões que seriam levados a sério, por exemplo, pela Justiça norte-americana (ênfase minha). 

Ele afirma, ainda, que o Estado de Direito no Brasil já foi atingido em 2016 com o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. 

Conclui que o mais importante talvez é o fato de que o Brasil terá se transformado em país com uma forma mais “limitada” de democracia eleitoral, no qual um “judiciário politizado” pode excluir um líder popular de uma disputa presidencial.

Leia o artigo original, em inglês, no site do TNYT. 

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