10 maio 2018

É possível governar o país nesse cenário de desordem institucional?


A esquerda sonha em reconquistar a presidência da república em 2018, tomada de assalto por um golpe jurídico, midiático e parlamentar que depôs a presidenta legítima Dilma Rousseff.

Para a esquerda, seja com Lula (PT), Guilherme Boulos (PSOL) ou Manuela d'Ávila (PC do B), o roteiro é simples: É preciso ganhar as eleições presidenciais, revogar as medidas de Temer e reconquistar a democracia e o estado de bem-estar social.

Não é possível saber se o campo progressista realmente acredita nessa narrativa, ou é apenas mais um capítulo da crença atabalhoada em um republicanismo que, em grande parte, é responsável pelo atual estado das coisas.

A esquerda tem total condições de ganhar as eleições democraticamente, e é aí que esse discurso se revela pouco pragmático. Há um temor, ao que parece, de assumir que vivemos em um estado de exceção, onde uma ditadura de toga subverteu as regras democráticas e assassinou a Constituição. Não é possível continuar com a ilusão de uma solução estritamente dentro do campo democrático, pois ela não virá tão cedo.

O legislativo trabalhou incansavelmente para derrubar Dilma e avalizou todas as medidas de destruição das conquistas sociais colocadas pelo presidente ilegítimo. O judiciário, através de um processo Kafkiano, condenou e prendeu Lula, líder em todas as pesquisas, com a clara intenção de inviabilizar sua candidatura e interferir no processo eleitoral.

Caso a esquerda reconquiste o poder nas urnas, encontrará o seguinte cenário: 1- Um parlamento conservador - afinal, não há indícios de que haverá uma renovação significativa - avesso a agenda social, trabalhista e soberana. 2- Judiciário, Ministério Público e Polícia Federal com poderes hipertrofiados, agindo como partido político anti-esquerda e polícia política.

Algo ainda pior do que foi enfrentado por Dilma no pré-golpe.

A direita e seus braços simbólico (mídia) e "legal" (judiciário) usarão de todos os expedientes para impedir o retorno da esquerda ao poder. Não será fácil, e se mesmo assim conseguir chegar à presidência, como a esquerda vai governar nesse cenário de baderna institucional e crescimento do fascismo dentro do próprio estado?

É uma reflexão que precisa ser enfrentada.

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