08 julho 2018

A inteligência de Jair Bolsonaro



Nas redes sociais o coro dos opositores do pré-candidato Jair Bolsonaro é que o presidenciável é burro, desprovido de qualquer recurso intelectual mais sofisticado. É uma avaliação perigosa, pois ela é falsa e tende a subestimá-lo.

Dentro de determinados critérios, Bolsonaro é bem inteligente. Tem consciência de que fala para idiotas, para a escória do ultraconservadorismo, adapta o discurso ao público sabendo que com uma generosa dose de ódio colhe os frutos podres do eleitorado. É fácil perceber que as asneiras dos seus discursos são deliberadas e têm alvo certo. Tudo é calculado.

Bolsonaro está há quase 30 anos no congresso nacional, tem uma produção parlamentar pífia, aumentou expressivamente o seu patrimônio pessoal e estendeu as benesses da política aos três filhos, Flávio Bolsonaro, Carlos Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro que são parlamentares (leia AQUI), uma contradição com o neoliberalismo econômico que defende e tem como pilares mais sólidos o "estado mínimo" e a "meritocracia." 

No congresso e em suas entrevistas tresloucadas, Bolsonaro também prega o nacionalismo e condena a corrupção, mas isso nunca o impediu de votar contra as denúncias a Michel Temer, de bater continência para a bandeira americana e nem de votar a favor de projetos contra os interesses nacionais, como a venda do pré-sal.

Apesar da produção política medíocre e de pregar o que não pratica na vida pública, Jair Bolsonaro continua com 17% a 19% de intenção de votos para presidente. Não é pouca coisa.

A estratégia de subestimar Bolsonaro não é inteligente, é apenas mais uma ingenuidade das forças progressistas.

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