21 julho 2018

Ciro Gomes toma uma "melada" da direitona


No meu Nordeste a expressão "dar uma melada" significa dizer que alguém conseguiu enganar outra pessoa de forma desconcertante. É um drible, uma jogada ou qualquer ação que, de tão incisiva, deixe o outro atordoado.

Feito esse apontamento, vamos ao que interessa.

Ciro Gomes, gostem ou não dele, é uma das maiores inteligências políticas do Brasil. Político experiente, conhece cobras e lagartos da vida pública nacional, por tudo isso é de surpreender que tenha sido tão facilmente ludibriado pela direita. Talvez a sua vaidade e obsessão em se tornar presidente da república tenham levado o ex-ministro a esquecer, ou pior ainda, fingir esquecer, as práticas da direita.

Desde que lançou seu nome como pré-candidato pelo PDT e percebeu que o PT (maior partido do congresso nacional e com capital eleitoral que chega a 20%) jamais abriria mão de ter um candidato próprio, Ciro ajustou o seu discurso com o objetivo de conquistar o eleitorado de direita. Ele passou a cortejar o  PSDB, elogiar as arbitrariedades da justiça lavajateira, negou-se a apoiar Lula e chegou até a declarar que o ex-presidente não era um preso político. Por fim, Ciro foi cortejado e cortejou o tal "centrão" (PP, PR, PRB, DEM e SD) que na verdade é um "direitão") e vislumbrou uma aliança com esses partidos cujos líderes partidários têm uma ficha de pelo menos 13 inquéritos criminais por suposto envolvimento em corrupção, lavagem de dinheiro e crimes contra a administração pública.

Quando Ciro já se considerava o "rei da cocada preta", a realidade se mostrou. Tudo não passava de uma "melada" muito bem dada por Rodrigo Maia (DEM) com a finalidade de esvaziar a candidatura de Ciro Gomes. Enquanto o "Centrão" dava o beijo de Judas no pedetista, por trás negociava com Geraldo Alkmin (PSDB), o candidato do golpe, e acabou por anunciar o apoio ao tucano. Resultado, Ciro foi abandonado no meio do caminho, confuso e atordoado, olhando para os dois lados.

Percebendo a tolice que fez, novamente mudou o discurso. Em uma clara tentativa de se reaproximar do PT, declarou recentemente em uma entrevista que o Brasil não terá paz enquanto Lula estiver preso.

Talvez seja tarde demais, os petistas ficaram ressentidos e desconfiados, mas a política é imprevisível. Vamos aguardar os próximos capítulos.  

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