06 dezembro 2018

Partage Shopping e a "multolândia" de Mossoró


O Partage Shopping de Mossoró anunciou recentemente um reajuste em suas tarifas de estacionamento. O valor para um período de 4 horas passou de 4,00 para 6,00. A única redução foi no tempo de tolerância que era de 15 e agora é de 10 minutos.

Os frequentadores do shopping demostraram indignação nas redes sociais.

É claro que ninguém gosta de "reajuste," mas convenhamos, o Partage é uma empresa privada, está inserida em uma lógica de livre mercado. Isso significa que tem autonomia para tomar decisões econômicas baseadas apenas na convicção da autorregulação do mercado.

Os consumidores que se sentirem explorados têm alternativas para reagir a isso: deixar de frequentar o shopping, usar outro meio de locomoção, frequentar estabelecimentos que não cobram por estacionamento, comprar em outros locais, etc.

O achaque privado, de onde se pode escapar, mobiliza mais indignação do que o achaque estatal, para o qual não há alternativa.

A gula fiscal da atual administração municipal de Mossoró é exemplo dessa indignação mau direcionada.

O aumento extorsivo do IPTU, exercício 2018 (alguns carnês com até 300% de reajuste), não mobilizou tantas vozes indignadas, muito menos as leis aprovadas posteriormente pela Câmara Municipal, que permitem inserir o nome do contribuinte inadimplente em serviços de proteção ao crédito. (Para saber mais leia Contribuinte em débito com a prefeitura poderá ser fichado no SPC/Serasa)  

Outra prática que parece ter se naturalizado em Mossoró é a tão manjada quanto lucrativa "Indústria da Multa", que por aqui tem a sua versão municipal.

Comparando o primeiro semestre de 2018 com o de 2017 as multas de trânsito cresceram 118%. Foram R$ 1.128.560,00 entre janeiro e junho do ano passado contra R$ 2.468.158,55 no mesmo período em 2018. São dados colhidos do Portal da Transparência.

Os agentes municipais de trânsito que deveriam zelar pela segurança, educar e orientar a população, se converteram em operários com metas a serem cumpridas. Uma "meta de multas", é o que garante uma fonte.

O modus operandi dos agentes é sugestivo. Nos horários de pico, lá estão os "azuzinhos" em algum ponto de grande fluxo, com seus blocos de multa nas mãos, atentos. Ao sinal de qualquer deslize, ou coisa que possa se enquadrar como tal, a canetinha nervosa é acionada. Não há uma ação educativa, elucidativa ou tentativa de diálogo com o condutor, o objetivo é unicamente a multa.
Acumulei 17 multas de 2015 a 2017, nenhuma foi entregue e ficou acumulada por falta de papel, era a alegação. Dentre elas infrações absurdas, que eu nem sabia que existiam. Detalhe, para recorrer eu que tenho que provar que estava certo, não quem me multou. O cara faz uma multa qualquer e eu que tenho que reunir provas para dizer que estava certo. Vai ficar pior (Depoimento de uma fonte ao Blog)
 Sim, vai ficar pior. O município equipou vários pontos da cidade com câmeras cuja finalidade é "monitorar o trânsito". Isso no dicionário da atual administração municipal significa multar.

Em todos os níveis, parece que a nossa percepção está a cada dia mais equivocada. Nos preocupamos com cortinas de fumaça enquanto os problemas reais persistem, sem serem incomodados. 

Sobre a gula fiscal da atual administração, leia também: Gula fiscal de Rosalba faz multas de trânsito aplicadas pela Prefeitura crescem 118% em 2018


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