A prefeita de Mossoró, Rosalba Ciarlini, estuda adotar a recomendação 04/2020 do CREMERN, que normatiza o uso de medicamentos para tratamento da covid-19. Se colocado em prática, os médicos da atenção básica poderão prescrever medicamentos como hidroxicloroquina, azitromicina, cloroquina, ivermectina e outros no tratamento da covid-19 na fase inicial da doença.

A possibilidade foi discutida em uma vídeoconferência com a secretária de Saúde do município, Saudade Azevedo, coordenadores médicos das UPAs e representante do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Norte em Mossoró.

Sobre a adoção do protocolo a prefeita, que também é médica pediatra, disse que está preocupada em salvar vidas. “Minha preocupação como prefeita e angústia como médica é salvar vidas,” disse.

Sobre o uso da hidroxicloroquina, Rosalba citou "casos exitosos" em hospitais e redes hospitalares como Hapvida e Unimed que, segundo ela, tiveram bons resultados em pacientes que usaram esses medicamentos nos primeiros sintomas da covid-19.

Sem eficácia comprovada

O problema da adoção da Cloroquina e hidroxicloroquina como protocolo para tratamento da covid-19 é que a droga não tem eficácia comprovada no tratamento da doença. Se as redes privadas citadas pela prefeita conseguiram bons resultados, supostamente devido ao uso da medicação, a hidroxicloroquina não tem sua eficácia reconhecida pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Inúmeros outros estudos pelo mundo também chegaram a mesma conclusão, entre eles o maior feito até agora e publicado no New England Journal of Medicine, um dos periódicos científico de maior credibilidade do mundo. O artigo pode ser lido AQUI (Em inglês).

Além da eficácia não comprovada, o paciente que usa pode apresentar efeitos colaterais importantes. Uma paciente em Mossoró, que faz uso do medicamento para tratamento do lúpus, definiu assim a hidroxicloroquina: "Por conta dessa medicação, além de um reumatologista eu preciso de um cardiologista, oftalmologista e outros médicos pelos efeitos colaterais." 

Os efeitos colaterais adversos, portanto, eliminam o argumento placebo, ou seja, que o uso pode ser reduzido a uma "tentativa".

Mas enfim, se os estudos sérios ao redor do mundo, a OMS e os dois ex-ministros da saúde (Mandetta e Teich) não concordam com a adoção desse medicamento por considerá-lo sem eficácia, talvez o Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Norte (CREMERN) esteja certo, não é mesmo?

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